O GP de Singapura 2026 ficará marcado não apenas pela quebra de um grande tabu, mas também por uma intensa turbulência nos boxes da Ferrari. No circuito de rua de Marina Bay, Max Verstappen dominou o fim de semana de ponta a ponta e, em sua décima tentativa, finalmente conquistou sua inédita vitória no noturno asiático.
A corrida, no entanto, teve como um de seus principais destaques a crise estratégica da Ferrari, com Lewis Hamilton assumindo a culpa por um erro que lhe custou posições preciosas no campeonato. Além disso, o fim de semana foi agitado por uma polêmica colisão interna na McLaren durante a prova Sprint.
Verstappen domina e conquista vitória inédita em Marina Bay
Após reescrever os livros de recordes da Fórmula 1 na última década, havia um “fantasma” específico rondando a carreira de Max Verstappen: o Grande Prêmio de Singapura. O holandês possuía três segundos lugares e quatro pódios no total em Marina Bay, mas nunca havia cruzado a linha de chegada na primeira posição.
Isso mudou em 2026. Em uma exibição de pura autoridade, Verstappen venceu a Qualificação Sprint, a corrida Sprint, a Qualificação principal e o Grande Prêmio, sem dar chances aos rivais em nenhum momento. Com o triunfo, o piloto da Red Bull zerou suas pendências nos circuitos do calendário atual, restando apenas a novata pista de Madring como o único local onde ainda não triunfou.
O pódio foi completado por Charles Leclerc, que fez uma corrida sólida para garantir a segunda posição com a Ferrari, e pela grande revelação Kimi Antonelli, que brilhou e conquistou um espetacular terceiro lugar.
Turbulência na Ferrari: Hamilton erra estratégia e pede desculpas
Se a frente da corrida teve domínio de Verstappen, os boxes da Ferrari viveram momentos de tensão. A equipe italiana apostou em uma estratégia dividida: enquanto Leclerc largou com os pneus macios (a escolha de Verstappen), Lewis Hamilton optou pelos médios.
Logo nas primeiras voltas, ficou evidente que os pneus macios ofereciam um ritmo de corrida muito superior, deixando Hamilton em desvantagem. O ponto crítico ocorreu durante um período de Safety Car Virtual (VSC). A equipe chamou Hamilton para os boxes, mas o heptacampeão perdeu a entrada do pit lane. Em uma decisão de pista, ele optou por permanecer na tentativa de manter a posição com seus pneus já desgastados.
A escolha se mostrou desastrosa. Com a borracha em frangalhos nas voltas finais, Hamilton foi ultrapassado por Antonelli, Lando Norris e Oscar Piastri, caindo para a sexta posição.
Após a corrida, o britânico foi transparente e assumiu a responsabilidade pelo erro:
“Sob o VSC, a equipe me chamou, mas perdi a entrada do pit. Depois disso, decidi ficar na pista e tentar manter a posição até o fim, mas nas voltas finais eu estava lutando muito contra a degradação dos pneus e perdi três posições. Terminar em sexto não reflete o ritmo que tínhamos hoje. Foi uma lição dolorosa, mas assumo total responsabilidade pelas decisões que tomei. Peço desculpas à equipe pelos pontos que perdemos hoje. Eles dão o máximo em todos os fins de semana e eu queria entregar mais para eles”, declarou Hamilton.
Sprint agitada: Colisão entre pilotos da McLaren gera clima tenso
A tensão também marcou a prova Sprint no sábado. O atual campeão mundial, Lando Norris, e seu companheiro de equipe, Oscar Piastri, se envolveram em uma forte disputa que terminou em contato na curva 5, na última volta.
Norris conseguiu rodar, mas ainda assim cruzou a linha de chegada em oitavo, defendendo sua manobra ao afirmar que “tinha o direito” de tentar a ultrapassagem. Já o australiano Piastri, eliminado da disputa, alegou acreditar que o companheiro estava “a uma distância razoável” para aquele tipo de curva. O incidente deixou o chefe da equipe McLaren, Andrea Stella, visivelmente irritado com a falta de coordenação entre seus pilotos.


