F-3 Sulamericana: Vinte anos formando vencedores

A F-3 Sulamericana completou neste ano vinte anos de disputas, sendo a categoria de base mais importante do continente, formando pilotos que pouco depois estavam brilhando em competições em todo o mundo.

A origem da F-3 é a F-2 Sulamericana, que em 1982 fez as duas provas experimentais. Na época os brasileiros disputavam a competição com os carros da F-2 Brasil, que eram derivados dos antigos Supervê, de muito sucesso na década de setenta.

O Campeonato Sulamericano de F-2 teve início em 1983, com total domínio dos pilotos argentinos, que possuíam um equipamento muito superior. Até 1986 foram apenas duas vitórias brasileiras, com Raul Boesel e Leonel Friedrich. Naquele a Associação dos Profissionais, Pilotos e Patrocinadores da F2 Brasil, e a Confederação Brasileira de Automobilismo entraram em atrito. Com a CBA chegando a caçar a licença dos pilotos brasileiros, depois de uma prova em Cascavel, que só foi realizada através de um mandado de segurança. A Confederação tinha ordenado que a Federação Paranaense, com quem tinha disputas políticas, suspendesse a prova, considerada pirata.

Em 1987, com a saída de Joaquim Cardoso de Melo da presidência da CBA, que não apoiava a categoria, aconteceu a primeira aproximação com o que havia de mais moderno, os carros de F-3. O chassi argentino Berta, já com mecânica importada, dominava os grids, com o brasileiro Muffatão sendo o representante brasileiro. Dois modernos F-3 foram inscritos no campeonato. Um Dallara F386, com o argentino Gustavo Sommi e um Reynard 873, com o também uruguaio José Pedro Passadore.

Foi adotado o regulamento dos Campeonatos Europeu e Japonês de F-3, embora o campeonato ainda fosse chamado de Sulamericano de F-2. Com o fim da F2 Brasil apenas quatro pilotos brasileiros disputaram o campeonato, mas mesmo assim os argentinos, que eram treze, não conseguiram levar a taça.

Leonel Friedrich, num Berta MKIII Volkswagen, venceu quatro das onze provas da temporada, fazendo 48 pontos, conquistando pela primeira vez o titulo para o Brasil. O argentino Fernando Croceri, com 39 pontos, foi o vice-campeão.

A partir de então a F-3 Sulamericana cresceu, revelando grandes talentos como Gabriel Furlan, o maior vencedor da categoria, Christian Fittipaldi, Ricardo Zonta, Helio Castroneves, Bruno Junqueira, Nelson Ângelo Piquet e muitos outros.

Este ano, depois de um período em os grids se reduziram após a saída dos pilotos argentinos, a F3 Sulamericana voltou a ser o caminho mais curto, para os jovens pilotos do continente, começarem a sonhar com a F-1. 

Confira a classificação da primeira edição da F-3 Sulamericana em 1987:

1. Leonel Friedrich (BRA) – 48
2. Fernando Croceri (ARG) – 39
3. Guillermo Maldonado (ARG) – 35
4. Gabriel Furlán (ARG) – 32
5. Guillermo Kissling (ARG) – 28
6. Enrique Benamo (ARG) – 25
7. Gustavo Sommi (ARG) – 22
8. Jose Luis di Palma (ARG) – 11
9. Miguel Angel Guerra (ARG) – 9
10.Daniel Cingolani (ARG) – 8
11.Néstor Gurini (ARG) – 6
12.Juan Carlos Giacchino (ARG) – 4
13.Pedro Passadore (URU) – 3
14.Ricardo Risatti (ARG – 2
15.Egon Hertzfeld (BRA) – 1
   Cezar Pegoraro (BRA) – 1
   Rafael Verna (ARG) – 1
   Milton Sperafico (BRA) – 0 

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