F1: Bahrein abre treinos e devolve nome Senna à Fórmula 1

Tranquilo, Bruno Senna diz que quer apenas construir a própria carreira.

Dezesseis anos depois da morte de Ayrton Senna, no GP de San Marino de 1994, um dos nomes mais importantes da história da Fórmula 1 estará de volta nesta sexta-feira no Bahrein. Quando entrar na pista de Sakhir a partir das 4 horas (Brasília) para a primeira sessão de treinos livres da abertura da temporada, Bruno Senna devolverá à categoria uma de suas griffes mais conhecidas e ainda cultuadas. O sobrinho do tricampeão mundial, no entanto, diz que procura deixar a emoção de lado. “Honestamente, tento nem pensar isso. Quero apenas construir minha própria carreira, embora certamente eu não estivesse aqui se não fosse por ele.”

Bruno não esconde a felicidade com o momento e o final de um período de incertezas que marcou a arrancada da equipe – nascida como Campos Meta F1 e recentemente, depois da mudança de controle, rebatizada como HRT F1 – Hispania Racing Team. A confirmação de que os carros estariam no grid espanta o fantasma da repetição da decepção pela qual passou no ano passado, quando acabou preterido por Rubens Barrichello na transição da Honda para a Brawn GP e perdeu a última vaga ainda em aberto naquela oportunidade. “Só de estar aqui no paddock, entre pilotos considerados os melhores do mundo, já é uma sensação muito legal”, afirmou. “E estou tranqüilo, não sinto qualquer pressão, porque acho que todos já sabem das dificuldades que enfrentei nestes últimos meses.”

Ao mesmo tempo em que controla a ansiedade pelo contato inicial com um carro que ainda está sendo finalizado e jamais entrou numa pista – a equipe perdeu todos os testes de pré-temporada na Espanha -, Bruno começa a se acostumar à extenuante rotina da Fórmula 1. Nesta quinta-feira, por exemplo, deu entrevistas, posou para a foto oficial com o macacão que recebeu apenas na véspera, acompanhou a montagem do HRT, percorreu o circuito a pé ao lado de seu engenheiro e do técnico de telemetria e ainda se submeteu ao obrigatório teste de extração do cockpit exigido pela FIA. “Saí do carro e recoloquei o volante em nove segundos, bem dentro do período máximo de 15. Mas não fiz um treino sequer, porque os mecânicos estavam trabalhando na montagem. Senão, daria para ser de dois a três segundos mais rápido”, ressaltou.

Bruno disse que a preparação da equipe vem sendo elogiada por todos no paddock. “O pessoal está 24 horas direto em cima do carro. O que conseguimos até agora é algo fora do comum, até porque tem muita gente nova. O progresso no desenvolvimento do carro é visível”, comentou. Curiosamente, Bruno viu um aspecto positivo no fato de a HRT não ter participado dos testes coletivos. “Por exemplo, estamos aqui com a terceira versão do câmbio, já que as anteriores deram alguns probleminhas e precisaram ser melhoradas”, justificou. Segundo ele, a Cosworth – fornecedora de motores das equipes estreantes e da Williams – municiou a HRT com informações sobre desempenho e consumo. “Mas, claro, ainda vamos ter de aprender a lidar com motor e câmbio para tirarmos nossas próprias conclusões”, completou.

Sobre a expectativa para os treinos desta sexta-feira, Bruno admitiu que os primeiros contatos do carro com o traçado barenita servirão muito mais como espécie de shakedown – avaliação primária de todos os sistemas do carro. “É provável que a gente saia e pare várias vezes nos boxes, para checar o funcionamento de tudo. Se as coisas derem certo, na segunda a gente pode começar a pensar nos long runs e ficar mais tempo rodando”, previu.

As boas notícias envolvendo a HRT continuam. Nesta quinta-feira, durante evento em São Paulo que contou com a participação de Bruno Senna direto dos boxes do Bahrein via Internet, o Banco Cruzeiro do Sul anunciou parceria com a equipe e o piloto. A logomarca da instituição financeira será aplicada sobre o bico e nas laterais ao lado das tomadas de ar, tanto no carro de Bruno quanto de seu companheiro Karun Chandhok. O logo também será visto no macacão do piloto, enquanto as estrelas que compõem a imagem gráfica do banco estarão no alto do capacete do brasileiro.

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