F1: Carro da Renault incorpora novas tecnologias e materiais para se adaptar ao regulamento deste ano

A equipe ING Renault F1 Team apresentou nesta semana, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão (Portugal), o novo carro com o qual a dupla de pilotos Fernando Alonso e Nelson Piquet disputará a temporada 2009 do Mundial de Fórmula 1. Depois de resultados muito encorajadores na segunda metade do torneio do ano passado, a filosofia de concepção do novo R29 visa aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas pelo novo regulamento de aerodinâmica, pelos pneus Bridgestone tipo slick e pelo sistema KERS (Kinetic Energy Recovery System, ou Sistema de Recuperação de Energia Cinética). O R29 usa como base as mais recentes evoluções aplicadas ao R28, que se mostraram eficientes nas disputas de 2008

”As vitórias obtidas em Cingapura e no Japão no ano passado são mérito do esforço da equipe”, diz Flavio Briatore, Diretor Geral da equipe ING Renault F1 Team. “Eu acredito que estas vitórias serão determinantes para nossa preparação na nova temporada. Mostramos que estamos no primeiro plano da F1 e que somos capazes de vencer de novo, e isso nos permite nutrir esperanças concretas para 2009”.

 

O bicampeão Fernando Alonso acompanhou de perto o desenvolvimento do carro nos últimos meses. “Confesso que fiquei impressionado com o trabalho da equipe”, diz o piloto espanhol. “Sob o aspecto estético, o R29 ficou bem diferente do R28, mas isso é consequência do novo regulamento de aerodinâmica. É preciso agora esperar as primeiras corridas para saber se as decisões que tomamos foram as melhores, mas acho que a equipe merece elogios pelo trabalho que realizou com o R29”.

 

Já o brasileiro Nelson Piquet espera que a ING Renault F1 Team inicie a temporada com a mesma competitividade que apresentou nas provas finais de 2008. “Eu sei que este ano será mais fácil para mim, pois me sinto mais a vontade na equipe, conheço as pistas, e a forma de trabalhar nos fins de semana de Grande Prêmio”, diz Piquet, que parte para sua segunda temporada na categoria e na equipe ING Renault F1 Team. “Estou certo de que será mais fácil administrar as coisas, e vou melhorar meu desempenho corrida a corrida”.

 

Com a entrada em vigor do novo regulamento técnico, bastante distinto em especial na área da aerodinâmica, a escuderia ING Renault F1 Team procurou dedicar o máximo de tempo às pesquisas em túnel de vento e, assim, realizar as primeiras experiências aerodinâmicas do R29 já no mês de fevereiro do ano passado. O novo centro de CFD (Computational Fluid Dynamics, ou fluidodinâmica computacional) também teve papel importante na concepção do novo monoposto da Renault, e se mostrou essencial na compreensão das implicações do pacote aerodinâmico que será implementado nesta temporada.

 

Um grande desafio do projeto R29 foi reduzir ao máximo o peso do monoposto visando permitir uma melhor integração do sistema KERS. Os projetistas optaram por novos métodos de fabricação e materiais alternativos, como o titânio e o carbono para a caixa de câmbio, assim como o uso mais extenso de alumínio tipo MMC (Metal Matrix Composite, ou material compósito de matrix metálica) e do magnésio.

 

A ING Renault F1 Team começou o trabalho com o KERS em parceria com a Magnetti-Marelli ainda em 2007. Este sistema compreende um gerador conectado na dianteira do motor (de forma a permitir carregar uma bateria durante as frenagens e liberar essa energia acumulada sob a forma de aceleração), uma bateria instalada sob o chassi e uma unidade eletrônica de controle.

 

A dianteira do R29 reflete as especificações aerodinâmicas exigidas pelo regulamento 2009 com uma grande asa frontal cujo flap pode ser ajustado pelo piloto a partir do volante. Por consequência, a aparência do carro é bem diferente das anteriores, com o chassi bastante influenciado pela circulação de ar ao redor das rodas. Uma grande atenção foi dada às chamadas “end plates” (placas verticais instaladas nas duas extremidades das asas), mais pronunciadas neste ano. Uma nova suspensão dianteira, mais radical, também foi apresentada. Ela se caracteriza pela inédita geometria dos triângulos inclinados a fim de aproveitar melhor os pneus slick e de melhorar a eficiência aerodinâmica do R29.

 

Na traseira, sob a carenagem, as mudanças são importantes para a integração do KERS, que exigiu um enorme trabalho de redução de peso do carro. Esta nova tecnologia também influenciou bastante o pacote aerodinâmico do monoposto, em o sistema de refrigeração.

 

Em grande parte, os apêndices aerodinâmicos desapareceram, consequência direta do regulamento de 2009. As superfícies e contornos se tornaram mais simples e “limpos”, mesmo que o R29 reutilize a tampa de motor “estilo tubarão” do R28, assim como as saídas de escapamento que os carros da ING Renault F1 Team empregaram nas temporadas recentes. A asa traseira ficou bastante mais estreita e alta, e está novamente instalada sobre um eixo central, como já era o caso no R26.

 

A caixa de câmbio, que agora deve durar quatro Grandes Prêmios, é feita de titânio e carbono, sempre visando a redução de peso. Ela utiliza um sistema de mudanças otimizado, que permitirá trocas de marcha mais velozes.

 

Mesmo que o R29 exiba diversos sinais de sua herança Renault, o novo carro da equipe ING Renault F1 Team foi concebido a partir de uma folha em branco. E isso é ainda mais notável se nos atentarmos aos aspectos aerodinâmicos do modelo. Em seu trabalho, a equipe técnica da equipe Renault de Fórmula 1 foi além dos desafios apresentados pelo novo regulamento de 2009 e espera colher na pista os frutos de sua dedicação.

 

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