F1: Pilotos da Renault comentam sobre a proibição de alguns controles eletrônicos nos carros

Uma das grandes questões da temporada 2008 é o uso da Unidade Padronizada de Controle Eletrônico e a eliminação dos dispositivos eletrônicos que auxiliavam o piloto na condução de um carro de F. Com essa medida, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pretende que somente quem está ao volante possa interferir em uma disputa de freada, por exemplo.

Mas, na prática, qual foi o impacto dessas mudanças para quem compete a mais de 300 km/h? Os pilotos oficiais da equipe Renault F1 Team, o bicampeão Fernando Alonso e Nelsinho Piquet, filho do tricampeão Nelson Piquet, explicam o que mudará com a adoção dessa unidade padronizada e o fim de alguns dispositivos eletrônicos.


Introduzido pela FIA para controlar os custos de desenvolvimento que geralmente ocorrem em laboratórios distantes dos olhares do público, o dispositivo chamado de Standard Electronic Control Unit (Unidade Padronizada de Controle Eletrônico), também permite a federação fiscalizar uma questão que é ponto central para o automobilismo como esporte. Como descrito no artigo 20.1 do Regulamento Esportivo da categoria, “o piloto deve conduzir o carro sozinho e sem auxílios”. Assim, encerra-se uma era de assistências artificiais ao piloto, como o controle de tração e os sistemas de controle do freio-motor. A FIA considera esta medida fundamental já que está cada vez mais difícil fiscalizar os complexos sistemas eletrônicos.


Mas o que os fãs devem ver na pista nesta nova era? E quão difícil ficou controlar um carro de Fórmula 1? Os dois pilotos de titulares da equipe Renault F1 Team – Fernando Alonso e Nelsinho Piquet – deram suas impressões iniciais a este respeito.
 
“São nas curvas de baixa velocidade, onde geralmente usamos a segunda marcha, que notamos a diferença, já que é nessas curvas que o controle de tração normalmente entraria em ação”, explica Alonso. “Isso significa que o piloto tem que mudar bastante seu estilo de pilotagem. No ano passado, nós costumávamos usar 100% do pedal acelerador nessas curvas, mas agora precisamos ser mais cuidadosos e delicados com a aceleração”, completa o espanhol.


O campeão de 2005 e 2006 explicou que é ainda mais importante impedir que as rodas patinem. “Outra diferença é quando há patinagem, pois sem o controle de tração é impossível parar esse efeito depois que ele se inicia, mesmo que você tire o pé do acelerador. Quando ocorre a patinagem, os giros se elevam e há mais torque sendo aplicado, e isso faz com que as rodas traseiras girem ainda mais. Conseqüentemente, para obter um bom tempo de volta, é essencial evitar a patinagem das rodas em todos os trechos da curva, e isso não é fácil”.


O espanhol também destaca a variação no nível de esterçamento do volante: “Com o controle de tração o carro costumava sair mais de traseira nas saídas de curva, mas isso não é mais um problema. Ao contrário, do meio da curva em diante, o carro sai de frente e escorrega mais, o que novamente influencia o estilo de pilotagem e o traçado”. A saída de frente pode ser um problema bem maior para um piloto, pois nesta situação as rodas dianteiras (que são as que dão direção) estão se afastando da trajetória pretendida pelo condutor do carro. No universo dos pilotos, é uma mudança radical.


O novo regulamento também retirou os sistemas de controle eletrônico do freio-motor (EBS – Engine Break System) que eram usados para moderar o travamento das rodas traseiras, fornecendo maior estabilidade sob forte frenagem. É a perda deste sistema, ao invés da retirada do controle de tração, que Nelsinho Piquet, brasileiro que estreará neste ano como piloto oficial da equipe Renault F1 Team, considera ter o maior impacto na pilotagem.


“A principal diferença que eu notei em relação aos carros de 2007 é a ausência do controle eletrônico do freio-motor, pois o carro ficou muito mais instável sem ele, especialmente com pneus usados”, conta o filho do tricampeão Nelson Piquet. “Quando você olha os dados da telemetria, descobre que a pressão aplicada nos freios pelo piloto é agora muito menor se comparada ao que acontecia no ano passado. Com o EBS podia-se freiar muito mais forte. Se você fizer isso sem esse sistema eletrônico simplesmente vai travar forte as rodas”, explica Nelsinho.


Alonso concorda com Nelsinho e enfatiza a necessidade de adaptar o acerto do carro de acordo com a nova configuração tecnológica. “Sem o EBS, o Fórmula 1 tende a sofrer com o travamento das rodas traseiras, já que parar um carro a 300 km/h não é fácil”, explica o bicampeão. “Então é preciso adaptar o acerto do F-1 para compensar a perda de todos estes auxílios. Será função do piloto ajudar nesta adaptação e estou convencido de que, à medida em que a temporada for passando, nós teremos esquecido como era pilotar com estes sistemas”.


Apesar de todas as mudanças, a velocidade dos carros da Fórmula 1 permanece quase a mesma dos anos anteriores. A ausência dos sistemas eletrônicos de auxílio ao piloto representa uma redução entre três e quatro décimos de segundo por volta, em média, algo que não é possível perceber sem um sistema de medição preciso – e impossível de notar apenas olhando da arquibancada de um autódromo ou estando diante da televisão.


Fonte: Renault

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