F1: Turquia pode ser desfiliada da FIA

Durante o último GP da Turquia, onde o brasileiro Felipe Massa obteve sua primeira vitória, uma quebra de protocolo pode ocasionar a desfiliação do país junto a FIA.


Para entregar o troféu ao vencedor, o turco Mehmet All Talat foi chamado e identificado como “Presidente da República da Turquia do Norte do Chipre”, um estado considerado ilegal tanto pela União Européia quanto pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Os cipriotas, por meio de sua federação de automobilismo local, enviaram um protesto à FIA, que o acatou. Investigações foram iniciadas e o Conselho Mundial decidiu realizar uma reunião extraordinária em 19 de setembro em Paris para debater o assunto.

“A Federação de Automobilismo Turca está arriscada de ser expulsa pela FIA”, comentou o assessor da entidade turca à agência “AFP”, que também revelou que Max Mosley ficou “furioso” com a situação.

A FIA é tradicionalmente neutro em relações a conflitos ou questões políticas. Nesta situação, Jerez não faz mais parte do calendário da F-1 porque em 1997, quando Jacques Villeneuve comemorava seu título, o prefeito local tentou roubar a cena para politicagens.

Histórico

A história dos cipriotas é tumultuada. A ilha do Mediterrâneo — que aparece nos livros desde o século 18 antes de Cristo — pertenceu a franceses (Lusignans), a venezianos e a turcos otomanos (estes em 1571). Em 1914, a Turquia entrou em guerra com a Inglaterra, e Chipre passou às mãos da Coroa Britânica, dela só conseguindo independência em 1959. Tornou-se república no ano seguinte. Para completar o aspecto “cosmopolita”, o arcebispo Mihkaíl Khristódhoulos Mouskos, grego, conhecido como Makarios III, assumiu a presidência.

Em 1963, hostilidades entre as comunidades gregas e turcas que estavam na iminência de se transformar em guerra levaram os britânicos a intervir. Uma força de paz da ONU se estabeleceu no Chipre. Onze anos depois, um golpe de estado organizado pelos gregos tirou Makarios do comando do país. A Turquia, temerosa, invadiu-o e pretendeu fazer do norte uma república sua. A parte helênica, claro, sempre foi contra.

O porta-voz da República cipriota, Christodoulos Pashardis, afirmou que a Turquia explorou um evento esportivo e “trapaceou” a FIA. “Foi uma provocadora peça de teatro. O sr. Talat não é nem cidadão nem um membro oficial da Turquia para ser convidado para entregar o troféu de vencedor”, esbravejou.

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