F3: Categoria faz três provas em circuito ‘trioval’

Na histórica pista de Buenos Aires, o traçado escolhido é o velocíssimo número 7, com apenas uma curva de baixa velocidade.

Disputado por jovens pilotos, o Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3 tem pela frente um desafio para competidores de alto nível. A organização do torneio definiu que as três provas agendadas para serem disputadas em Buenos Aires, na Argentina, acontecerão no traçado de número sete deste histórico circuito sul-americano. O desenho da pista é o que se chama no jargão automobilístico de “trioval” – uma pista com três curvas.


“No caso do traçado número sete, as curvas chamadas localmente de ‘Curvón’ e ‘Ascari’ são de altíssima velocidade. A terceira é a ‘Horquilla’, de baixa, mas ainda assim importante”, conta o paulista Diego Nunes (Chocolates Garoto/Aura), um dos favoritos à vitória neste traçado justamente por sua tocada veloz. “Esta pista vai tornar o encontro de Buenos Aires ainda mais interessante”, completa Nunes, terceiro colocado na classificação do torneio. As provas estão agendadas para acontecer de 27 a 29 de outubro, correspondendo à 12ª, 13ª e 14ª etapas da temporada.


Embora tenha disputado várias corridas na pista de Buenos Aires, o traçado número sete foi utilizado pela Fórmula 3 Sul-Americana apenas uma vez, em 1991, quando os pilotos brasileiros dominaram a disputa. A pole e a vitória foram do paulista Affonso Giaffone Neto, que se sagraria campeão sul-americano naquela temporada a bordo de um chassi inglês Ralt com motor Volkswagen de uma equipe argentina – na época, os times do país vizinho eram superiores aos baseados no Brasil. A melhor volta, no entanto, foi do goiano Tom Stefani (Dallara/Alfa Romeo).


“O desempenho dos carros daquela época deve ser superado pelo equipamento que usamos atualmente”, observa Eduardo Bassani, engenheiro da equipe Bassani Racing, defendida por Diego Nunes. “Nosso chassi é o italiano Dallara, mais moderno e com tecnologia mais recente. E o nosso motor atual é o Ford, com preparação da conceituada empresa especializada Berta Motores. É a unidade mais potente do mundo”, completa Bassani, que iniciou sua carreira como técnico no automobilismo europeu.


História – O circuito de Buenos Aires foi construído por iniciativa de vários pilotos locais, entre eles Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial de Fórmula 1. A idéia casava bem com os interesses populistas do então presidente Juan Domingo Perón, que apoiou a obra e a nomeou “Autódromo 17 de Outubro” em homenagem à “jornada histórica” de apoio ao então Coronel Perón. A pista foi inaugurada em nove de março de 1952 com vitória do próprio Fangio na corrida principal, com o igualmente legendário Froilán González no segundo lugar – ambos pilotaram carros Ferrari. O primeiro GP de Fórmula 1 da Argentina aconteceu ali em 1953 – com vitória de Alberto Ascari (Ferrari), italiano que foi homenageado no nome de uma das curvas. Desde então, a pista sediou 20 Grandes Prêmios da categoria máxima. Aquela prova foi também a primeira realizada pela Fórmula 1 fora da Europa, mas teve um registro trágico: nove pessoas foram mortas devido a um acidente durante a competição. Em 1989, a cidade homenageou um de seus heróis das pistas alterando o nome oficial do circuito para ‘Autódromo de la Ciudad de Buenos Aires Oscar Alfredo Gálvez’.

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