F3 Sulamericana: Categoria prepara o futuro

Troca de equipes e pilotos, novos carros, mais publicidade e a possível saída de atuais participantes agiram os bastidores da categoria.

Faltando pouco menos de dois meses para o fim do ano, e menos que isso para encerrar a temporada que tem a rodada dupla final no dia 16 de dezembro em Interlagos, o Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3 entra na fase de definições e preparativos para o torneio de 2008, com reflexos também para 2009. Um dos assuntos mais quentes do momento diz respeito à definição do equipamento que deverá ser utilizado pelas próximas gerações de pilotos do continente que sonham em se preparar para uma carreira no exterior.


“Uma coisa é certa: o motor Berta, preparado na Argentina com base em uma unidade da Ford Duratec 2.2, tem correspondido muito bem. É o mais potente motor de F-3 do mundo, o que oferece um tempero extra às brigas por posição no nosso campeonato”, opina o goiano Rodolpho Santos (Neo Química/Palu Suisse/Wurth), de 18 anos, estreante na F-3 em 2007. “Já o chassi deve ser renovado. Sei que há propostas para a categoria da italiana Dallara, a atual fornecedora, e também da francesa Mygale. São duas fábricas com boa tradição e tecnologia, embora a Dallara seja bem mais conhecida na América do Sul”.


Segundo informações de bastidor, reuniões entre as equipes e a promotora Vicar – a mesma da Stock Car – definiram que o novo chassi será utilizado somente a partir de 2009. “Na verdade, as opiniões são divididas: há quem queira usar o mesmo equipamento utilizado na Europa já em 2008, outros preferem 2009 por razões financeiras – importar estes carros vai custar caro. Mas o bom é que a categoria vai se atualizar. Não que haja um degrau imenso entre os carros que usamos aqui e os utilizados lá. As duas versões utilizam fibra de carbono, por exemplo, e muita eletrônica. Além disso, já se beneficiam de conceitos de segurança e qualidade retirados da F-1. E, apesar de termos um modelo mais antigo aqui, o nosso carro é o mais veloz”. Atualmente, a F-3 Sul-Americana utiliza o chassi Dallara F301, um projeto do ano de 2001 da fábrica italiana. Embora o ano de lançamento não seja tão recente, equipes e pilotos podem encomendar diretamente ao fabricante peças novas ou até um carro completo zero quilômetro.


Pilotos e equipes – A categoria se agita também com a saída dos veteranos, a entrada de novos nomes e a tradicional troca de equipes e pilotos visando configurações mais fortes para a nova temporada. Espera-se, por exemplo, que o campeão de 2007 deixe o torneio, abrindo uma importante vaga para 2008, na equipe Cesário Fórmula. O próprio Rodolpho Santos está dividido entre dois cenários: continuar na F-3 Sul-Americana ou seguir, já em 2008, para a Europa.


“É um momento de muitas decisões”, diz o piloto goiano. “E de negociações também. Eu, por exemplo, tenho três patrocinadores – Neo Química, Palu Suisse e Wurth. O interesse deles também vai influenciar no meu futuro. Estou bastante satisfeito com o trabalho feito com o meu time na F-3, a equipe Amir Nasr. Mas preciso pensar na continuidade da minha carreira. Então, já estou planejando tudo, fazendo contatos. Mas uma decisão final sairá somente após o fim da temporada. Será quando nós todos vamos fazer uma avaliação mais completa e saber qual rumo tomar em seguida”.


Televisão e parcerias  – Aspectos não ligados diretamente ao cenário esportivo ocupam e influenciam as negociações de pilotos, equipes e patrocinadores. O principal deles, com certeza, é o pacote promocional para 2008. Segundo as equipes foram informadas, a temporada 2008 da F-3 deve contar, entre outras, com provas realizadas em conjunto com a Stock Car V8 (uma corrida), com a argentina TC2000 (duas etapas) e quatro provas inseridas no novo evento que reunirá a Stock Light e uma nova categoria de picapes da Vicar (tipo silhouette, ou seja, com chassi tubular e carenagem imitando o desenho de picapes de produção, da mesma forma que a Stock faz com os modelos VW Bora, Chevrolet Astra, Peugeot 307 e Mitsubishi Lancer).


“É um pacote bem melhor do que o que tivemos em 2007”, elogia Rodolpho Santos. As transmissões das corridas pela TV também são um item importante na composição do pacote promocional do ano que vem. Segundo um chefe de equipe, as corridas devem ser mostradas por um canal por assinatura especializado em esporte – ou seja, Sportv ou ESPN Brasil. “A visibilidade na televisão é atualmente um dos quesitos mais desejados pelos patrocinadores. Veja, por exemplo, o que aconteceu com a Stock Car. Depois que foi levada para a TV Globo, a categoria literalmente explodiu em termos de popularidade. É o que queremos para a Fórmula 3 também”, comentou o dirigente, que preferiu não se identificar.


 

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