FIA WTCC: Após “bater na trave”, Farfus aposta no título

Paranaense é um veterano das pistas com apenas 24 anos.

Maduro para a pouca idade, o paranaense Augusto Farfus já adquiriu bagagem nas pistas para bancar suas convicções. A última delas é a certeza de que vai brigar nesta temporada pelo título do Campeonato Mundial de Carros de Turismo – FIA WTCC, cuja largada está marcada para 2 de março no quintal de sua casa, o Autódromo Internacional de Curitiba – Pinhais. “Mais do que em 2007, quando estreei na BMW sabendo que haveria um tempo de adaptação, o objetivo agora é ser campeão”, assegura o piloto de apenas 24 anos, quarto colocado pela montadora alemã.

A trajetória de Farfus no automobilismo escapou ao roteiro-padrão dos colegas e passou ao largo das divisões de base brasileiras. Depois da sólida formação no kartismo, mudou-se para a Itália no início de 2000 para ser companheiro de equipe na Fórmula Renault italiana de outro jovem de quem se falaria muito já naquele ano – Felipe Massa, então campeão da extinta Fórmula Chevrolet e que se transformaria rapidamente em estrela da Fórmula 1. Farfus ficou mais um ano na categoria e acabaria sucedendo ao amigo como campeão europeu em 2001, enquanto Massa abriria de vez as portas da principal série mundial com o título da Fórmula 3000 européia. Curiosamente, Farfus novamente alcançaria a mesma conquista em 2003. A partir daí, no entanto, as carreiras seguiram destinos diversos.

“Além do enorme talento, Felipe foi feliz na escolha das pessoas que o acompanharam e de estar no lugar certo na hora certa. Mas não chegaria aonde chegou se não fosse bom como é”, aplaude Farfus, que em 2004 tomou rumo da modalidade de turismo pelas mãos da marca italiana Alfa-Romeo. No final do ano passado, no entanto, sentiu o gostinho de baixar a bota em um Fórmula 1 no teste em Valência com a BMW, que lhe foi oferecido como prêmio aos bons serviços prestados em seu primeiro ano pela casa de Munique no WTCC, quando venceu três provas e terminou em 4º, após disputar o título até à última etapa em Macau. “Estou muito feliz no Mundial de Turismo. Gostei da experiência na Fórmula 1, o (Mario) Theissen, chefão da BMW, elogiou meu treino, mas está cada vez mais difícil encontrar uma chance pra valer. Não troco meu lugar no WTCC nem pela vaga de piloto de testes de equipe grande da Fórmula 1”, garante.

Farfus já é um veterano da categoria, que vem sendo dominada por Andy Priaulx desde o seu lançamento em 2005 – tricampeão, o britânico é uma vez mais o homem a ser batido. Neste período, o brasileiro venceu sete corridas – uma no primeiro ano, quando fechou o campeonato em 4º, três em 2006 (3º colocado no geral) e mais três em 2007. “Apesar de tudo, foi um bom ano. Liderei boa parte do calendário e só não cheguei mais à frente por causa das batidas que levei já na parte final – uma do Alain Menu em Brands Hatch e duas do Gabriele Tarquini em Monza e Macau. Não fui feliz nas últimas três corridas, mas sempre há algo para ser aprendido. O Priaulx mostrou a importância de ser regular. Ganhou o mesmo número de provas que eu, mas foi mais consistente e levou o tri”, observa.

Responsável pelo sucesso de público registrado em Curitiba nas últimas edições, Farfus reconhece que a pressão de correr em casa existe, mesmo que venha morando em Mônaco com a namorada e futura esposa Liri – o casamento é neste sábado na capital paranaense. “É uma situação diferente, que mexe tanto com o público quanto comigo, especialmente depois da vitória numa das provas em Pinhais no ano passado. E as dificuldades continuarão sendo enormes, porque o equilíbrio é marca do WTCC. Priaulx, Jörg Muller, Alessandro Zanardi, Felix Porteiro… tem um monte de gente em condições de ganhar, sem falar no Alain Menu, piloto com maior número de vitórias em 2007.” Com o Chevrolet Lacetti, o suíço alcançou seis primeiros lugares.

Entre as marcas, Farfus continua botando fé na força dos BMW 320si, mas chama a atenção para os SEAT Leon. “Parece que os espanhóis estão trabalhando muito nesse motor turbo-diesel. Eles vão incomodar, não tenho dúvidas, mesmo levando em conta que a BMW dominou as últimas corridas em Curitiba. Em contrapartida, a Honda ainda está em dificuldades com o Accord”, ressalva.

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