GP2 Series: Bruno Senna começa a viver novo desafio na carreira

A largada de Bruno Senna rumo ao novo desafio de sua carreira está marcada para próximo dia 21, quando a Fórmula GP2 abrirá em Paul Ricard, no sul da França, a primeira sessão de testes da terceira temporada de sua história.


Nesse curto espaço de tempo, a categoria já se consolidou como a principal repositora de talentos da Fórmula 1. Seus dois primeiros campeões – o alemão Nick Rosberg, este já pela segunda vez, e o inglês Lewis Hamilton – estarão no grid da prova inaugural da F1 no mês que vem na Austrália.

Com viagem marcada para a Europa na noite desta quinta-feira, Bruno Senna participou de almoço em São Paulo no qual o Banco Santander anunciou que passará a ser seu principal patrocinador. Embratel, Carglass, AGF e Cavalera seguem como co-patrocinadores. “É a primeira vez que patrocinamos no Brasil um atleta individualmente. Bruno traz à nossa marca atributos relacionados aos nossos valores, com profissionalismo e inovação”, justificou Armando Pompeu, vice-presidente de Segmentos e Marketing do Banco Santander, que anunciou a parceria ao lado de Miguel Jorge, vice-presidente executivo de assuntos corporativos.

Bruno Senna correrá pela Arden International. A equipe é de propriedade do inglês Christian Horner, diretor-esportivo da Red Bull Racing e, aos 33 anos, um dos mais jovens dirigentes da Fórmula 1. A Arden International foi uma das quatro escuderias que Bruno Senna avaliou nos treinos coletivos depois do campeonato de 2006. “A equipe tem um potencial fantástico. Foi muito bem em 2005 com o Heiki Kovalainen, que lutou pelo título até o final, embora tenha caído no ano passado porque os pilotos tinham dificuldades para acertar o carro. Mas continua sendo uma das mais fortes da Fórmula GP2”, avisou.

Com base naqueles testes, Bruno Senna sabe que será necessário um tempo de entrosamento. “O acerto básico do carro não é exatamente o que casa melhor com meu estilo. A suspensão macia é ótima para curvas de baixa velocidade, mas não é tão eficiente nas de alta. Vou ter de me adaptar ao carro e a equipe terá de se adaptar ao meu gosto”, explicou. O carro, com as modificações para 2007, notadamente nas laterais, asas dianteira e traseira e no capô do motor, continua sendo um monomarca de chassis (Dallara), motor (Renault-Mecachrome V8 com 600 cavalos de potência) e pneus (Bridgestone).

Terceiro colocado no Campeonato Inglês de Fórmula 3, onde conquistou cinco vitórias, além das três na Fórmula 3 australiana, Bruno Senna sabe que as dificuldades serão ainda maiores em 2007. A Fórmula GP2 é uma das séries mais equilibradas do automobilismo mundial e o grid de 26 carros costuma ser separado por cerca de um segundo. Além disso, o formato das provas é um complicador adicional para novatos como o brasileiro. São apenas 30 minutos de treinos oficiais na sexta-feira, usados para reconhecimento de circuitos majoritariamente desconhecidos e início do acerto do carro, seguidos de mais 30 de tomadas classificatórias que definem as posições de partida. “É pouco tempo de adaptação. E as receitas de regulagens que a equipe tem dos anos anteriores não serão as mesmas porque a aerodinâmica está consideravelmente modificada”, lembrou.

Sobre as perspectivas para a temporada, Bruno Senna mantém os pés no chão. “Meu projeto na Fórmula GP2 é de dois anos. Vou enfrentar gente muito mais experiente do que eu, alguns iniciando o segundo ou terceiro ano na categoria. Mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva. Na minha cabeça, fechar o campeonato entre os seis primeiros já seria um ótimo resultado. Não será fácil enfrentar pilotos com a bagagem de Antonio Pizzonia, Giorgio Pantano, Timo Glock, todos com passagem pela Fórmula 1. E equipes fortes como a bicampeã ART Grand Prix, a iSport e seu carro muito bem-acertado, entre outras.”


Perguntas e respostas


Você tem cerca de 50 corridas em sua carreira, o que é um número baixo para um piloto de sua idade e na categoria na qual competirá. Você não teve, por exemplo, de passar por muitas categorias para chegar à GP2. O que é que pode te ajudar a ser melhor do que outros pilotos que tiveram essa formação completa?

Experiência conta muito no automobilismo. Quando cheguei à Fórmula BMW e mesmo à Fórmula 3, comecei a andar rápido nos treinos quase imediatamente. Mas cometi vários erros nas corridas pela mais absoluta falta de bagagem. Foi quando percebi que precisaria correr muito para descontar essa falta de aprendizado de base. O lado bom é que tenho de me esforçar muito mais do que os outros pilotos e talvez por isso tenha um nível de comprometimento com o automobilismo muito superior ao da média dos pilotos.

Quanto tempo pretende passar na Fórmula GP2? A Fórmula 1 ainda é um sonho distante ou já se trata de projeto de carreira?

Meu projeto inicial é de dois anos. Quero chegar à Fórmula 1 bem-preparado, e cada corrida que fizer antes será importante para compensar a minha vida ainda curta no automobilismo. Mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva. Se eu terminar o ano entre os três primeiros, é quase inevitável que apareça uma oportunidade na Fórmula 1, ainda que seja de piloto de testes. Se terminar entre os seis, terá sido um bom resultado, mas aí a probabilidade de permanecer na GP2 por mais um ano é praticamente certa. Quanto à Fórmula 1, é onde quero chegar. Não estaria abrindo mão de um monte de coisas e sacrificando minha vida pessoal se não fosse por ela.

Pelo parentesco com Ayrton Senna, você acha que as cobranças podem ser maiores do que as de outro piloto? Como você lida com isso?

Não diria que as cobranças sejam maiores, mas que talvez desperte um pouco mais de curiosidade. Mesmo assim, acredito que a referência familiar – que já foi muito mais forte quando a opinião pública tomou conhecimento de minhas primeiras vitórias na Fórmula 3 – tenda a se reduzir bastante na medida em que minha personalidade própria de piloto esteja consolidada. É o que estou procurando fazer no momento. A relação com Ayrton não me incomoda, porque ela é inevitável. Afinal, não é todo piloto que tem um tio tricampeão mundial e com uma carreira espetacular.

Todos sabem que sua família não queria que você se envolvesse com o automobilismo, principalmente sua mãe. Houve algum fato especial que fez com que eles mudassem de idéia?

Houve, sim. O fato foi um diálogo franco e honesto quando ela quis saber o que eu gostaria de fazer da minha vida. Na época, eu estava trabalhando numa das empresas da família. Minha mãe ficou mais surpresa do que contrariada quando expliquei que gostaria de voltar a correr e ser um piloto profissional. Depois do susto inicial, ela passou a me apoiar integralmente, assim como todo o restante da família. Aliás, na minha casa as decisões costumam mesmo ser tomadas em conjunto.

Você acha que brigará pelo título de GP2 na temporada 2007? Como está sua equipe?

Acho que é prematuro fazer qualquer previsão nesse sentido. Houve uma grande renovação entre os pilotos, mas permaneceram alguns que estarão iniciando o segundo ou o terceiro ano na categoria. Ainda nem andamos com o novo carro, o que só vai acontecer nos dias 21 e 22 deste mês em Paul Ricard, na França. A aerodinâmica mudou bastante e as equipes terão de se entender com as novidades. Só mesmo as primeiras corridas é que darão um quadro mais fiel das chances de cada um. Mas é claro que encontrarei dificuldades. Vou andar em circuitos desconhecidos e com pouquíssimo tempo de adaptação, já que terei apenas 30 minutos de treinos livres nas sextas-feiras antes da tomada classificatória com a mesma duração. Minha equipe é uma das melhores da Fórmula GP2, embora não tenha feito um campeonato excepcional em 2006 e terminado na quarta colocação. Outro complicador é que meu companheiro, o Adrian Zaugg, também é um novato.

Sua família é conhecida, entre outros, pela forte atuação na área de responsabilidade social. Você tem algum projeto neste setor?

Individualmente, ainda não. Mas acompanho e apóio as iniciativas do Instituto Ayrton Senna. Eventualmente, participo de eventos como representante do IAS quando minha mãe se encontra impossibilitada de comparecer.


GP do Bahrein é a
primeira das 21 provas

Formado por 10 rodadas duplas e um grande prêmio isolado – Mônaco -, o calendário da Fórmula GP2 será inaugurado no circuito de Sakhir, no Bahrein, no dia 14 de abril.

As datas e locais são estes:

14-15/04 – Bahrein (Sakhir)
12-13/05 – Espanha (Barcelona)
26/05 – Mônaco (Montecarlo)
30/06-01/07 – França (Magny-Cours)
07-08/07 – Inglaterra (Silverstone)
21-22/07 – Alemanha (Nurburgring)
04-05/08 – Hungria (Budapeste)
25-26/08 – Turquia (Istambul)
08-09/09 – Itália (Monza)
15-16/08 – Bélgica (Spa-Francorchamps)
29-30/09 – Espanha (Valência)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *