GP2 Series: Bruno Senna diz que está preparado para a Fórmula 1

Chefe da iSport aposta que piloto fará sucesso ainda maior que na GP2.

Vice-campeão da Fórmula GP2 de 2008, ao final de uma temporada abrilhantada por duas vitórias (Mônaco e Silverstone), três poles, uma melhor volta, seis pódios e 64 pontos, Bruno Senna se sente preparado para receber uma chance na Fórmula 1. Embora reconheça que não será fácil compensar o déficit de milhagem de uma carreira iniciada apenas no segundo semestre de 2004, o piloto leva fé em seu potencial. “Aprender muita coisa em pouco espaço de tempo não será novidade para mim”, justifica. A confiança de Bruno foi referendada pelo chefe da iSport, equipe defendida pelo brasileiro neste ano. “Bruno continuará evoluindo e será ainda mais bem-sucedido na Fórmula 1”, prevê o inglês Paul Jackson.


A campanha de Bruno Senna, que completará 25 anos em meados de outubro, deixou Jackson com a convicção de que o tão sonhado título não se materializou por motivos fora do controle do seu piloto. “Foram 20 ou mais pontos que deixaram de ser coletados pelas razões mais diversas”, recordou o dirigente, relacionando os incidentes que complicaram a vida de Bruno e o deixaram a 11 pontos do campeão Giorgio Pantano: o atropelamento de um vira-lata na Turquia, a quebra da embreagem na França, a pane seca em Valência e uma polêmica punição com passagem pelos boxes quando liderava na Bélgica.


Em contrapartida, o segundo lugar na estréia em Barcelona e as vitórias em circuitos que se confundem com a história do automobilismo se transformaram nos destaques do campeonato. “Mônaco revelou ao mundo o seu amadurecimento e que ele deve ser visto como um piloto de alto nível. Em Silverstone, foi notável como dominou completamente a corrida com pista molhada”, aplaude Jackson.


Bruno permanece em Londres, onde mora desde que deixou o Brasil para correr atrás de um sonho de infância. Admite contatos e o interesse de quase todas as equipes – as exceções são Renault, Red Bull e Ferrari -, algo surpreendente para uma trajetória ainda tão curta no automobilismo, e que a prioridade é encontrar um posto de titular em 2009, ainda que o desfecho favorável não dependa apenas dele.


Enquanto aguarda por um chamado que coloque fim em sua expectativa, Bruno concedeu a seguinte entrevista:


No início deste ano, você afirmou que o terceiro lugar na Fórmula GP2 seria um bom resultado, que o segundo seria ótimo e que o título de campeão seria o ideal em relação ao seu futuro. Continua com essa avaliação?


Na verdade, a principal diferença é que ser campeão poderia ter aberto muitas portas na Fórmula 1. Mas, por enquanto, nenhuma se fechou. Desta forma, ter sido vice não alterou quase nada. No entanto, permanece o gosto amargo de saber que poderia ter sido campeão e não ter conseguido por fatores que não controlo.


Comparando com a temporada de estréia na GP2, no que você acha que mais evoluiu? Nos treinos de classificação, no ritmo de corrida, na parte técnica…


Cresci muito como piloto, em termos de regularidade e tomada de decisões estratégicas. Melhorei minha capacidade de entrosamento com a equipe e isso trouxe resultados positivos. Tenho dedicado cada vez mais atenção à preparação física, o que tem me ajudado a ser mais veloz no qualifying e consistente nas corridas.


Você se sente completamente preparado para encarar a Fórmula 1? Heikki Kovalainen e Nelsinho Piquet enfrentaram dificuldades iniciais. Você acha que tem chances de pegar a mão mais rapidamente ou está pronto para apanhar um pouco?


Se eu tiver a chance de ser titular, o que inclui a tarefa de desenvolver o carro e o envolvimento com a equipe, cada quilômetro rodado será valioso e poderei acelerar meu aprendizado. Para ser sincero, não será uma situação nova para mim. Tem sido assim desde que cheguei à Europa.


Às vezes você não acha que o ritmo de sua carreira está um pouco acelerado?


Sim, mas não tem outro jeito. Com a experiência que estou adquirindo e o trabalho duro de minha parte e da equipe que tenho ao redor, tenho certeza que farei um ótimo trabalho. Afinal, se olharmos para trás, os passos na minha carreira foram sempre grandes e acredito ter desenvolvido um trabalho sólido ao longo deste curto tempo. Claro que alguns tropeços são naturais, mas isso é característico do esporte e pode acontecer com pilotos experientes ou novatos. Acredito que a temporada de 2008 mostrou que posso ser consistente, mesmo com experiência menor se comparada com pilotos que estavam realmente disputando o campeonato. O Giorgio Pantano já passou até pela Fórmula 1 e só de GP2 fez quatro anos, a mesma duração de minha carreira inteira no automobilismo; o Lucas Di Grassi fez seu terceiro ano de GP2 e também integra o programa de testes da Renault.


Que imagem você acha que construiu, especialmente nestes dois últimos anos, junto aos chefões da Fórmula 1?


A imagem de alguém que alcançou bons resultados com relativamente pouca experiência, de forma profissional e que tem aproveitado as oportunidades surgidas.


De todas as alternativas que você está considerando para 2009, quais as que estariam mais próximas?


As possibilidades são boas e sólidas, tanto para ser piloto titular quanto para test driver. Para que se materializem, tudo dependerá de fatores externos e de algumas decisões que precisaremos tomar.


Quatro anos depois de estrear na Fórmula BMW, o que mudou – se é que mudou – em relação ao nome que você carrega?


A maior mudança é o peso diferente que o nome agora proporciona à minha carreira. Minha obrigação com as equipes de Fórmula 1 supera a performance que tenho de mostrar para conseguir uma vaga. No início, havia interesse, e esse interesse só aumentou, assim como a cobrança por resultados, o que torna mais importante cada oportunidade que aparecer na Fórmula 1.


Onde estará Bruno Senna em 2009?


Se Deus quiser, em algum assento competitivo na Fórmula 1.

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