GP2 Series: Bruno Senna diz que GP2 é mais competitiva que a Fórmula 1

Bruno Senna iniciou nesta terça-feira, em Paul Ricard (França), os dois dias de testes de intertemporada da Fórmula GP2.

Terceiro colocado na classificação do campeonato, com uma vitória logo em sua terceira corrida na divisão de acesso à Fórmula 1, o piloto brasileiro está aproveitando os ensaios desta semana para avaliar uma série de mudanças que sugeriu no acerto do carro da Arden International. Antes de entrar na pista nesta manhã, ele fez um balanço de sua arrancada na Fórmula GP2, categoria que aponta como mais competitiva que a Fórmula 1.


P – Você causou impacto na Fórmula GP2 depois de apenas três corridas. Esse início de temporada foi uma surpresa para você?


R – Para ser honesto, achava que teria mais dificuldades para alcançar um lugar entre os Top 10, especialmente porque nossa pré-temporada em Paul Ricard não deu os resultados que imaginávamos, mas obviamente isso não aconteceu. Estamos confortáveis entre os 10 melhores e um lugar entre os cinco é realmente bom para mim. Não esperava ganhar tão cedo. Foi uma boa surpresa e uma prova de que, quando o equipamento está rendendo, tenho ritmo e preparo para vencer corridas.


P – Mônaco foi uma etapa mais complicada para você, depois da vitória em Barcelona, mas parece que seu carro tinha problemas que só foram identificados após a prova…


R – Sim, a equipe só descobriu na revisão em nossas oficinas que a barra estabilizadora dianteira estava quebrada. Infelizmente, essas coisas acontecem, principalmente num circuito como Mônaco. Sabemos que não estava quebrada durante todo o fim de semana, porque ela é testada antes de cada sessão. Deve ter ocorrido na prova, só não sabemos se no começo ou no fim. O carro não estava bom a corrida inteira e nem foi o melhor do mundo ao longo do fim de semana. Tivemos problemas sérios no primeiro setor, mas meu companheiro Adrian Zaugg reclamou das mesmas dificuldades. Faltaram algumas coisas, mas é assim que as coisas ocorrem às vezes.


P – Quais os objetivos dos testes em Paul Ricard?


R – Temos um programa bastante detalhado e que cobre basicamente todas as áreas. Vamos testar tudo. Temos uma idéia a respeito dos próximos circuitos e já conheço bem as deficiências do carro. Agora, depois das primeiras corridas, temos como trabalhar nessas pequenas áreas e evoluir o carro no todo. Se fizermos isso, seremos bastante competitivos. Tradicionalmente, nossos tempos de volta em Paul Ricard não parecem tão bons, mas não estamos aqui apenas para virar rápido. Acho que esses testes nos serão bem úteis.


P – As corridas em Magny-Cours e Silverstone, separadas por apenas uma semana, virão logo depois dos testes. O que você conhece dessas pistas e que resultados espera?


R – Nunca pilotei em Magny-Cours. Só conheço o circuito pelo Play Station. Por isso, claro que os demais pilotos têm muito mais experiência do que eu naquela pista. No entanto, já andei muito em Silverstone e conheço alguns segredinhos que devem me deixar bastante rápido por lá. O que tenho de fazer é dar o melhor de mim com a experiência que tenho de cada um. Tive um ótimo fim de semana recentemente no Ferrari Challenge em Silverstone, onde fiz as duas poles e ganhei as provas. Nunca venci de Fórmula 3 no circuito da Fórmula 1, embora tenha largado na pole. Terminei em segundo na corrida e no molhado, o que é bom porque conheço as condições de aderência e posso ser competitivo em um caso ou outro. É preciso ter um carro bem acertado e equilibrado em Silverstone. Se esse for o caso, estarei confiante.


P – Atualmente só se fala em Lewis Hamilton, e ele esteve na GP2 no ano passado. Nico Rosberg também está na Fórmula 1 depois do título de 2005. Como você vê a categoria em sua proposta de formar pilotos para a Fórmula 1?


R – Lewis é um grande piloto, sempre foi, e é um bom exemplo de alguém que sempre viveu para o automobilismo. Tem sido bem-conduzido pela McLaren e venceu por onde passou. Está claramente fazendo um excelente trabalho e tem a sorte de estar onde está. Tem um bom carro e está correspondendo, o que é importante para ele. No ano passado estava brigando contra vários pilotos na Fórmula GP2, o que o transforma numa referência da dimensão da categoria e sua importância na preparação para a Fórmula 1. Acredito realmente que a GP2 é ainda mais competitiva do que a Fórmula 1. As corridas são longas, nem tanto como as da F1, mas precisamos poupar os pneus, não há controle de tração, temos de acertar o carro para uma prova comprida no sábado e uma curta no domingo. Trabalhar no acerto, aprender as estratégias de parada nos boxes são um excelente aprendizado de corridas. As provas são equilibradas porque a aerodinâmica permite que você ande colado no carro da frente e ultrapassar. Os pilotos da Fórmula GP2 são ossos duros de roer, você não pode simplesmente sentar e virar voltas boas – é preciso andar rápido porque se alguém tiver a chance de te ultrapassar, pode apostar que ele tentará. É preciso, ainda, ter consistência.


P – O campeonato de 2007 está aberto?


R – Sem dúvida. É preciso pontuar com regularidade para disputar posições no campeonato. Vários pilotos vão vencer, e quatro já ganharam neste ano. Naturalmente, as corridas de domingo são um pouco diferentes por causa do sistema de grid invertido dos oito primeiros da véspera, mas neste tipo de competição é necessário ser rápido, consistente e chegar aos pontos sempre que possível.

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