GT3 Brasil: Ricci/Derani levam Ferrari à histórica 1ª vitória na categoria

Dupla largou da quarta posição em corrida muito disputada que levou bom público a Interlagos.

Se ontem a vitória passou raspando, tendo sido perdida nos últimos metros por um problema no pescador do tanque de combustível, hoje nada pôde deter o Ferrari F430 guiado por Claudio Ricci e Rafael Derani. A dupla conquistou uma histórica primeira vitória para o modelo italiano no Itaipava GT3 Brasil. Com o resultado, a dupla passou à liderança do torneio, com 37 pontos, dois a mais que a dupla Constantino Junior/Clemente Lunardi, vencedores da prova disputada no sábado.

Largando da quarta posição, Ricci pilotou de forma agressiva e passou à liderança na nona volta com maestria, fazendo a ultrapassagem por fora no “S do Senna” em cima de Wagner Ebrahim (parceiro de seu irmão, Fábio Ebrahim, em um Dodge Viper). “Os modelos da Ferrari sofreram muito no ano passado. Mas trabalhamos muito. Acho que o nosso carro foi o que mais acumulou quilometragem, e acredito que estejamos mesmo um pouco à frente da concorrência, mas isto graças ao acerto que tivemos com os novos pneus da Pirelli”, explicou o gaúcho, considerado um dos pilotos mais rápidos da categoria.

Na largada o Ford GT de Constantino Junior (parceiro de Clemente Lunardi) ocupava a pole tendo ao lado o Dodge Viper de Wagner Ebrahim (Fábio Ebrahim). O Viper saltou à ponta, com Ricci em terceiro ao volante do Ferrari. Na Curva do Mergulho, o Ricci fez a ultrapassagem sobre o Ford GT, carro que lhe tirou a vitória nos últimos metros da corrida disputada ontem.

Os Porsche 997 preparados pela WB Motorsport foram um destaque à parte por sua velocidade. Ricardo Maurício (Antonio Hermann), em quarto, pressionou Constantino até conseguir a ultrapassagem, por fora, também no Mergulho. Na sétima volta, Thiago Camilo (Lico Kaesemodel) fez a ultrapassagem sobre o Ford GT na Reta dos Boxes.

Enquanto isso, Claudio Ricci partia em uma caçada pela liderança, tirando a diferença em relação ao Viper de Ebrahim. Antes da 10ª volta, o gaúcho havia tirado mais de meio segundo, mas a vantagem do paranaense ainda era de 0s966.

Antes da abertura da janela obrigatória para troca de pilotos, Ricci já pressionava o adversário pela primeira posição, conseguindo a ultrapassagem na nona volta, por dentro, na freada do Bico de Pato. No entanto, Ebrahim aproveitou-se da potência do motor do Dodge Viper e recuperou a posição, mas por pouco tempo. Claudio Ricci abriu a 10ª volta e colocou por fora no “S do Senna”, conquistou definitivamente a liderança.

No mesmo giro, o Porsche de Ricardo Maurício subiu à segunda colocação e passou a pressionar o F430, que tinha uma vantagem de apenas 0s161 sobre Maurício. Duas voltas depois, Thiago Camilo passou o Viper de Ebrahim, que não apresentava bom rendimento em curvas, e subiu à terceira colocação. Após a troca de pilotos, Rafael Derani (Claudio Ricci) assumiu o Ferrari líder e se manteve na ponta, seguido de Antonio Hermann (Ricardo Maurício) e Lico Kaesemodel (Thiago Camilo). Lico ultrapassou Hermann na 23ª volta.

No giro seguinte, Derani já tinha 6s489 de vantagem para o Porsche de Hermann, o segundo colocado. Enquanto isso, Clemente Lunardi subia ao terceiro lugar, mas sempre seguido de perto pelo Dodge Viper, agora pilotado por Fábio Ebrahim.

Na 29ª volta, faltando pouco mais de 11 minutos para o fim da corrida, o paulista da equipe CRT viu sua vantagem diminuir para 5s362. “Esta foi uma das dificuldades que eu tive. Toda hora a equipe me avisava pelo rádio que o Lico estava diminuindo a diferença e que eu tinha que virar voltas rápidas”, lembrou Derani, que obedeceu às ordens do time. No giro seguinte, virou 1min39s695 contra 1min39s905 e respirou com 5s572 de vantagem, uma dianteira que subiu para 5s878 uma volta depois.

No pelotão de trás, Clemente Lunardi e Fábio Ebrahim protagonizavam uma bela disputa pelo terceiro posto com várias trocas de posição. Na bandeirada, Rafael Derani (que no sábado havia largado da pole position) cruzou a linha de chegada com apenas 2s241 de vantagem sobre Lico Kaesemodel. Lunardi chegou em terceiro, com Ebrahim em quarto e Ronaldo Freitas (Alceu Feldmann) fechando os cinco primeiros.

“O Ricci teve mais trabalho, mas eu sofri no final porque tive problemas com a direção hidráulica nas últimas três voltas. O volante ficou tão pesado que estava quase impossível contornar as curvas”, lembrou o vencedor. “Realmente não foi fácil. Tive que levar o carro em ritmo forte o tempo todo, mesmo com o nosso Ferrari bastante ‘dianteiro’. Mas graças a Deus conseguimos levar o carro a esta primeira vitória”, comemorou Claudio Ricci.

Lico comemorou o segundo lugar ao lado do parceiro Thiago Camilo, mas ressaltou o desgaste dos pneus do Porsche 997. “Foi bom, o carro evoluiu muito da última vez que corri com ele (na primeira temporada do Itaipava GT3, em 2007). Mas na parte final o ele estava muito ‘traseiro’ e eu tinha que guiar com muita suavidade”, lembra o paranaense. “Estou satisfeito, pois nunca havia corrido com um carro destes. Andamos bem pouco nos treinos e a primeira vez que treinei com pista seca foi nas tomadas de tempo. Mas em Curitiba deveremos ter atualizações que podem nos permitir brigar mais pela vitória”, explicou Camilo.

A dupla estreante formada por Constantino Junior e Clemente Lunardi ressaltou a dificuldade da corrida que teve neste domingo. “O carro foi penalizado com 30 quilos, sofríamos muito nas retas. Era questão de esperar alguém nos ultrapassar”, lembrou Constantino. “Quando alguém está doente, é necessário tomar cuidado com o tamanho da dose do remédio, senão pode matar. Acho que o remédio que nos deram foi forte demais”, metaforizou Lunardi. “A Ferrari merecia a vitória, inclusive ontem, mas hoje sentimos por não termos chegado mais perto”, lamentou.

A próxima rodada dupla do Itaipava GT3 Brasil acontece em Curitiba, no dia 31 de maio.

Confira o resultado da segunda etapa do Itaipava GT3 Brasil:

1º) C.Ricci/R.Derani (Ferrari F430) – 36 voltas em 1h01min37s215;
2º) T.Camilo/L.Kaesemodel (Porsche 997) – a 2s241;
3º) Constantino Jr/C.Lunardi (Ford GT) – a 37s998;
4º) W.Ebrahim/F.Ebrahim (Dodge Viper) – a 46s782;
5º) A.Feldmann/R.Freitas (Porsche 997) – a 58s511;
6º) R.Maurício/A.Hermann (Porsche 997) – a 1min16s149;
7º) R.Santos/W.Derani (Ferrari F430) – a 1 volta;
8º) A.Khodair/M.Hahn (Ferrari F430) – a 1 volta;
9º) F.Poeta/D.Rosa (Ferrari F430) – a 23 voltas;
10º) R. Matias/M.Stumpf (Dodge Viper) – a 24 voltas.
Melhor volta: C.Ricci/R.Derani (Ferrari F430) – 1min37s228 (média de 159,54 km/h), na 2ª volta
Fonte: Cronomap

A classificação do campeonato após duas provas:
1º) Rafael Derani/Cláudio Ricci (Ferrari F430) – 37 pontos;
2º) Contantino Junior/Clemente Lunardi (Ford GT) – 35;
3º) Thiago Camilo/Lico Kaesemodel (Porsche 997) – 30;
4º) Marcelo Hahn/Allam Khodair (Ferrari F430) – 23;
5º) Ricardo Maurício/Antônio Hermann (Porsche 997) – 21;
6º) Walter Derani/Rodolpho Santos (Ferrari F430) – 19;
7º) Ramon Matias/Matheus Stumpf (Dodge Viper)- 9;
8º) Wagner Ebrahim/Fabio Ebrahim (Dodge Viper) – 8;
9º) Fernando Poeta/Duda Rosa (Ferrari F430) – 7;
10º) Alceu Feldmann/Ronaldo Freitas (Porsche 997) – 6 pontos. 

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