IndyCar: Pilotos brasileiros concordam: Corrida deste ano será ainda melhor

Melhorias na pista do Anhembi como recapeamento e troca das zebras deixarão o traçado mais rápido e permitirá mais disputas entre os carros

A edição 2010 da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé, a primeira corrida de rua da Fórmula Indy sediada em uma cidade da América Latina, teve 95 ultrapassagens em suas 42 voltas sob bandeira verde. Para este ano, os pilotos brasileiros inscritos na prova acreditam que este número pode ser ainda maior em virtude das melhorias que foram feitas no traçado de 4.080 metros do Circuito Anhembi. Bia Figueiredo, da Ipiranga Dreyer & Reinbold, Raphael Matos, da AFS, Vitor Meira, da A.J. Foyt, Tony Kanaan, da KV Racing, e Hélio Castroneves, da Penske, concederam entrevista coletiva no início da tarde desta quinta-feira (28) no Complexo do Anhembi.

Durante a manhã, o prefeito Gilberto Kassab anunciou as mudanças: recapeamento de grande parte do traçado, troca das zebras em alguns trechos e a retirada completa em outras curvas. E para os pilotos, tudo para um show ainda melhor em 2011. “A pista vai ficar mais rápida sem essas zebras, porque estavam em curvas que fazemos em segunda marcha – algumas até em primeira. Então, sem elas, você cria uma opção melhor, um espaço maior, não tão limitado. E quanto mais perto do muro, mais aderência você tem”, destacou Hélio. “É justamente o mesmo tipo de zebra usada em Long Beach”, completou.

“A pista ficou excelente. As ranhuras no concreto da Reta do Sambódromo, que no ano passado foram feitas no sentido vertical, não surtiram tanto efeito, e agora elas foram feitas na horizontal, como é feito em pistas de aeroporto, o que ajuda bastante na aderência. As mudanças foram na direção correta, inclusive a retirada das zebras nas curvas 7, 8 e 9. Justamente por isso, acho que o tempo de volta aqui será de dois a três segundos mais rápido”, apontou Raphael Matos.

Ainda se recuperando de uma fratura no punho direito, Bia Figueiredo brincou com a situação. “Quando o Hélio falou que a zebra vai ser igual à de Long Beach, minha mão até começou a doer de novo, porque minha dor naquela corrida foi muito intensa. Acho que vou ligar para o prefeito e pedir para ele tirar”, divertiu-se. “No entanto, só vou saber da real condição da minha mão, o quanto ela melhorou da última corrida para cá, no sábado, quando começarmos a andar. Ainda vou usar a proteção, como exige a organização da Indy, porque são necessárias seis semanas para que o osso esteja consolidado o suficiente para eu andar sem ela. Só espero que a dor não apareça, para que aí eu possa ser mais competitiva”, afirmou.

“Diferente das outras pistas de rua do calendário, aqui em São Paulo temos uma excelente área de escape na primeira curva. Ano passado tivemos aquela confusão na largada e tanto eu como outros pilotos conseguiram desviar”, lembrou Vitor Meira, terceiro colocado na SP Indy300 de 2010.

Balanço da temporada até o momento
Cada piloto fez uma análise dos próprios resultados nas três primeiras provas do ano – Saint Petesburg, Barber Motorsports Park e Long Beach. “Comecei bem, muito feliz e orgulhosa em iniciar a minha primeira temporada completa. A adaptação foi rápida e tínhamos bons resultados nos treinos em Saint Pete, mas infelizmente na corrida aconteceu o incidente na quarta volta, na qual eu quebrei o escafoide da mão direita. Tive que fazer cirurgia, perdi a corrida de Barber, foquei na recuperação com fisioterapia. A gente fica frustrado, ansioso, querendo voltar logo. Voltei em Long Beach ainda com dores, e mesmo agora não estando ainda 100% para a corrida de São Paulo, minha mão está muito melhor e espero fazer o melhor possível”, comentou Bia Figueiredo, que apesar de ter disputado quatro etapas em 2010, concorre ao título de estreante do ano.

Para Vitor Meira, 2011 tem sido marcado até o momento como uma das temporadas mais disputadas dos últimos anos. “O campeonato está muito competitivo. Todo mundo está com o mesmo carro há cinco ou sete anos, então todos pegaram bem a base do negócio. É impressionante o nível em que estamos, o show em São Paulo vai ser ainda melhor do que no ano passado, e espero ser tão competitivo como em 2010”, disse. “Para mim, tem sido bom em comparação à temporada passada. O nosso foco era melhorar em circuitos mistos e de rua, justamente onde estávamos mais fracos, em relação aos ovais. Ano passado a equipe fez um bom trabalho não só em termos técnicos, mas também em estrutura”, comparou.

Para Raphael Matos e Tony Kanaan, que assinaram seus contratos na semana anterior à corrida de abertura do campeonato, os resultados têm sido surpreendentes já que ambos ainda mal tiveram tempo de se ambientarem com suas novas equipes. “A temporada está bem interessante. Consegui acertar meu contrato na prorrogação do jogo, depois dos 45 minutos do segundo tempo”, brincou o piloto mineiro. “A gente fez o shakedown do carro na sexta-feira, então não tivemos tempo para testar na pré-temporada. Mesmo assim terminei a primeira corrida em sétimo. A equipe trabalhou duro para me dar um carro que não quebrasse e fosse rápido a ponto de competir de igual para igual ali no ‘bolo’. Na segunda corrida bateram em mim em uma das relargadas e não pude terminar, e em Long Beach fui o 11º, o que julgo como uma ótima colocação, visto que terminei entre dois carros da Penske”, lembrou.

Tony Kanaan, que correu por vários anos – e conquistou título de 2004 – pela Andretti Autosport, respira novos ares na KV Racing Technology. “Não tenho do que reclamar por enquanto. Depois de um fim de ano extremamente trabalhoso e sofrido, assinar um contrato a seis dias do início do campeonato, fazer um pódio e terminar as outras duas entre os dez primeiros é excelente. E ainda nem tive tempo de visitar a sede da equipe”, disse. “Foi um começo de temporada bom, extremamente competitivo, e é importantíssimo começar bem. Sou realista e temos que trabalhar muito para alcançarmos os carros da Penske, da Ganassi, da Andretti. Tenho que acumular o máximo de pontos que puder. Construímos uma equipe de última hora – tínhamos o carro, mas não os mecânicos e engenheiros. Daqui em diante temos que trabalhar bastante, porque o time tem muito potencial”, apontou.

Virose e “começo estranho”
Tony ainda se recupera de uma virose. “Tomei um susto, não conseguia sair da cama. Tinha febre, dor no corpo. Passei uma noite no hospital, fiz alguns exames e graças a Deus todos deram negativos, inclusive dengue. Ainda estou um pouco ‘baqueado’, mas estou de pé”, disse o terceiro colocado no classificação geral da temporada.

Entre os brasileiros, Hélio Castroneves era o menos empolgado com seu início de campeonato. “Estou mais frustrado do que todos por este começo. Foi completamente estranho, e talvez seja uma fase ruim. A gente tenta explicar uma coisa ou outra, tenta procurar, mas temos é que virar a página”, analisou. “Estamos trabalhando para iniciarmos a reviravolta aqui no Brasil. Seria perfeito. A equipe está me dando apoio e espero sair daqui com um bom momento e leva-lo a Indianápolis”, falou o tricampeão das 500 Milhas mais famosas do mundo.

Expectativas
Vitor Meira aposta na melhora de sua equipe e de seu carro para repetir ou melhorar o resultado obtido em São Paulo no ano passado. “Visivelmente já podemos perceber o resultado das mudanças feitas em toda a estrutura. Estamos andando melhor e mais rápido em todas as pistas até agora. Espero tomar as decisões certas no final de semana, exatamente como fizemos no ano passado”, disse.

Bia Figueiredo sabe que não estará com 100% de suas condições físicas para guiar, mas diz que já estará melhor do que em Long Beach, há duas semanas. “Ainda tenho que usar a proteção na mão direita, mas espero dar o meu melhor e terminar a corrida em uma boa colocação”, comentou.

“Espero brigar mais no bloco da frente. Somos uma equipe nova e em Long Beach eu terminei a corrida entre dois carros da Penske. No dia em que os outros errarem e nós acertarmos na estratégia de paradas de boxe, acho que poderemos lutar com eles. Vamos apostar nisso: em uma boa estratégia”, apontou Raphael Matos.

Tony Kanaan, que no ano passado prometeu pular no rio Tietê caso vencesse a corrida, mantém a promessa, mesmo com a virose contraída no início desta semana. E se divertiu com seus colegas. “Vocês querem me matar. Mas vou pular sim, com virose e tudo. Agora falando sério, acho que a prefeitura fez um excelente trabalho em recapear o traçado. Isso é um circuito de rua, não um autódromo. São vias públicas, tem tampa de bueiro, é ondulado mesmo. São locais por onde passam carros, caminhões e motos, e a gente não corre sobre tapetes. Isso faz parte. Long Beach tem o mesmo asfalto praticamente desde quando a gente nasceu e nem por isso reclamam. As condições são as mesmas para todo mundo, e temos que acertar o carro para todo tipo de asfalto. Simples assim”, pontuou.

Para Helio Castroneves, assim como em 2010, quando a Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé abriu a temporada da Fórmula Indy, a temporada se inicia agora. “Precisamos virar a página sobre o que aconteceu nas três primeiras corridas, em que os resultados não foram bons. A ideia é partir para a reviravolta. E para mim, o campeonato começa aqui em São Paulo”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *