Mil Milhas: Família Parra sobe ao pódio e faz história na prova mais tradicional do país

A edição comemorativa de 50 anos de criação das Mil Milhas Brasileiras, encerrada na noite do último sábado (21) no Autódromo de Interlagos, foi marcada pela conquista de alguns recordes que entrarão para a já vasta história da prova mais tradicional do automobilismo brasileiro. Mas, além dos impressionantes números obtidos na pista – como os novos recordes para a pole position e para o tempo total de corrida –, outros fatos marcarão a última edição das Mil Milhas antes de sua inclusão no Campeonato Mundial de Grã-Turismo da FIA, em 2007.



E entre eles está a conquista da família Parra, que subiu ao pódio na categoria STC e chegou a liderar a corrida com um Omega V8 da Katalogo Racing. Em cinco décadas de história, essa foi a primeira vez que pai e filha terminaram a corrida entre os três primeiros. Conduzido por Fernando Parra e sua filha, Fernanda, o carro equipado com motor semelhante ao da Stock Car Brasil teve, no inusitado grau de parentesco entre seus pilotos, um dos atrativos da 34ª edição das Mil Milhasapesar de ter sido criada há 50 anos, a corrida deixou de ser realizada 16 vezes nesse período.


 


Esse é um momento de muita alegria para nós, porque o objetivo era terminar a corrida e nem tínhamos nos dado conta de que poderíamos estar fazendo história. A Fernanda não é a primeira mulher a subir ao pódio nas Mil Milhas, mas é a primeira vez que pai e filha chegam juntos, dividindo o mesmo carro, declarou Fernando Parra.


 


Mesmo tendo ficado pronto poucos dias antes dos treinos oficiais, o Omega V8 chamou atenção pela não pela velocidade apresentada nas primeiras vezes que foi para a pista – a equipe largou em segundo na categoria, a pouco mais de meio segundo do tempo da pole position –, mas também pela resistência. O carro preparado pela Katalogo Racing – que para este ano anunciou a contratação do paulista Ricardo Maurício para seu quadro de pilotos na Stock Car – não apresentou nenhum defeito mecânico grave, que prejudicasse a competitividade da dupla de pilotos.


 


Por termos treinado pouco com o carro, o resultado foi ótimo, disse Fernanda. “O motor ainda precisa de alguns ajustes e, por isso, não rendeu os 450 cavalos de potência que esperávamos. Além disso, disputar uma prova de mais de 10h30 em apenas dois pilotos é um desafio muito grande. Terminamos muito cansados e esse resultado não é apenas nosso, mas de toda a equipe”, completou a piloto, que está habituada a freqüentar o pódio do autódromo de Interlagos. No ano passado, ela recebeu troféus em nove das 18 corridas que disputou no Campeonato Paulista de Automobilismo, justamente com o Omega usado na prova de Endurance ( que equipado com motor nacional de 350 cv).


 


Largando na segunda posição, a dupla da família Parra chegou a ocupar a liderança da prova nas primeiras duas horas de corridas, mas consolidou a posição apenas no meio da tarde, quando chegou a abrir três voltas de vantagem para o Alfa Romeo 156 da equipe carioca Tekprom. No início da noite, no entanto, por problemas nos faróis e um atraso em um dos pit stops, pai e filha perderam a ponta para os adversários, que venceram a corrida na categoria reservada a carros tubulares com bolha, além de carros de Turismo (Stock Car, TC2000, BTCC, WTCC), de qualquer procedência, com motores de até 6.000 cm3.


 


“O automobilismo é um esporte de detalhes e, até mesmo em corridas longas, pequenas coisas podem influir no resultado. No nosso caso, a parte mecânica funcionou quase que com perfeição. Fiquei sem a direção hidráulica no final, mas o carro agüentou bem. Apenas a regulagem do farol é que dificultou bastante a tocada, porque estava difícil enxergar a pista com pouca luz, finalizou Parra.

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