Rally Dakar: 9 mil km de aventuras no maior rali do mundo

Competidores percorrerão 13 cidades entre Argentina e Chile. Brasileiros serão os pioneiros com o etanol na competição.

O rali mais exigente do mundo acontecerá novamente na América do Sul. O Dakar 2010 terá cerca de nove mil quilômetros divididos em 14 especiais, passando pela Cordilheira dos Andes e pelo Deserto do Atacama, atravessando Argentina e Chile. A largada será no dia 1º de janeiro em Buenos Aires e a chegada, no dia 17, também será na capital argentina.

Nos 9.030 quilômetros da 32ª edição do rali, os pilotos enfrentarão, a exemplo do que acontecia quando o Dakar era disputado entre a Europa e a África, percursos diferentes dos percorridos no ano passado. De Buenos Aires, os competidores seguem para o norte da Argentina, com as três primeiras etapas bastante longas, apresentando grandes deslocamentos e especiais. De Buenos Aires a Córdoba, na primeira especial, serão 251 quilômetros cronometrados, passando pela cidade de Colon.

No segundo dia, serão mais 355 quilômetros entre Córdoba – província que atualmente sedia uma etapa do WRC – e La Rioja. O piso terá uma característica mais dura e compacta, porém com muitas pedras e atravessando trechos sinuosos de serra, o que exige bastante técnica de pilotagem.

A terceira especial terá 182 quilômetros e vai de La Rioja a Fiambala, última cidade em território argentino antes dos competidores encararem a Cordilheira dos Andes e lidarem com uma drástica mudança climática por causa das freqüentes tempestades de areia, comuns no local. Além disso, o físico de pilotos e navegadores será posto à prova, com trechos em altitudes de até 4 mil metros.

As dunas começam a crescer durante sete dias de exploração no Deserto do Atacama. Entre Fiambala e Copiapo, já no Chile, a especial terá 203 quilômetros cronometrados; o quinto trecho, de 483 quilômetros, será entre Copiapo e Antofagasta, cidade conhecida por suas minas de ouro. Por isso haverá partes de terreno pedregoso.

O Dakar começa a rumar ao norte chileno na sexta especial, entre Antofagasta e Iquique, ainda no terreno mais seco do planeta. Já é considerada a parte mais difícil do rali tanto para os competidores, como para o equipamento, com 418 quilômetros cronometrados. Ao final, uma paisagem que compensa o esforço: após o downhill, a cerca de três quilômetros de Iquique, o litoral do Oceano Pacífico estará à vista da caravana do rali.

A volta para Buenos Aires começa na sétima especial, de Iquique a Antofagasta, com 600 quilômetros. Do litoral, os competidores encaram novamente o deserto, já entre Antofagasta e Copiapo, no oitavo trecho cronometrado, de 472 quilômetros. A nona etapa, entre Copiapo e La Serena, é o último dia dos pilotos no Atacama, na especial de 338 quilômetros.

A décima especial ruma a Santiago, com 238 quilômetros cronometrados e vegetação densa e variada, além de trechos sinuosos de estradas. Entre Santiago e San Juan, no 11º estágio, os competidores passam pelo Aconcágua e retornam à Argentina em 220 quilômetros cronometrados.

A quilometragem aumenta na 12ª especial, de 297 quilômetros, entre San Juan e San Rafael. Será comum ver rios cortando estradas, cercados de cânions, mas na segunda parte, arenosa, haverá vários saltos. A penúltima especial, de 368 quilômetros, acontece entre San Rafael e Santa Rosa, a dois dias do final do rali. As dificuldades, no entanto, não cessam: trechos rápidos, mas traiçoeiros, especialmente nas dunas de Nihuil.

O trecho final, entre Santa Rosa e Buenos Aires, tem 206 quilômetros cronometrados, e a chegada acontecerá na vila de San Carlos de Bolívar.

Sobre Klever Kolberg: Engenheiro e piloto, Klever Kolberg é o brasileiro que mais vezes participou do Rally Dakar, competição off-road mais difícil e perigosa do mundo, tendo sido um dos pioneiros no país a disputá-la. O piloto criou a primeira equipe brasileira a participar do Dakar e vai competir pela 22ª vez em 2010. Um dos grandes nomes do off-road nacional, Klever começou na prova competindo de moto, entre 1988 e 1996, sagrando-se campeão da categoria Motos Maratona em 1993, ano em que foi o quinto colocado no geral. A partir de 1997 passou a disputar o Dakar entre os carros, obtendo o título vice-campeão na categoria Carros Maratona em 1999 e 2000 e na categoria Carros Diesel em 2002. É autor de três livros sobre o assunto e é comentarista de rali no canal ESPN desde 2007.

Sobre Giovanni Godoi: Engenheiro mecânico com 20 anos de experiência no automobilismo nacional, sendo oito dedicados às competições off-road como engenheiro responsável pelo desenvolvimento dos veículos de competição da Mitsubishi. Em 2003 disputou o Rally dos Sertões, terminando em 17º na geral e terceiro entre os novatos, com o objetivo de entender e vivenciar as exigências a que o carro e a dupla piloto/navegador são submetidos em uma prova deste porte, e em paralelo, testar e desenvolver novos componentes. Esteve no Dakar 2009 com navegador de um caminhão de apoio.

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