Rally Dakar: Com vedação reforçada, Klever parte para mais areia

Valtra Dakar Eco Team entra no penúltimo dia de competição já colocando novo desenvolvimento do Mitsubishi Pajero Sport Flex em prática.

O Rally Dakar entrou hoje (14) em sua parte final, mas com uma sequência de trechos que são encarados – assim como no quarto dia do rally – como os mais difíceis da competição, por causa do terreno arenoso. Foram 796 quilômetros entre San Juan e San Rafael, 297 deles cronometrados. “Assim como ontem, hoje foi um dia muito quente e também longo, somados o deslocamento e a especial. O trajeto começou com trechos de muitas pedras e poeira, mas bastante rápida e também ondulada”, afirmou Klever Kolberg.

Segundo o representante do Valtra Dakar Eco Team, foi mais um dia para testar o equipamento. “Foi bom para testar a suspensão do carro tanto com bastante peso (com tanque cheio), como mais leve (com cerca de 100 litros de etanol no tanque, que tem a capacidade para 560 litros). E o carro me surpreendeu. Foi muito constante nas duas situações”, pontuou Kolberg, o primeiro piloto na história do Dakar a competir usando etanol como combustível no carro e tecnologia 100% brasileira.

Os trechos de hoje foram, em sua maio parte, em estradas de terra, trilhas e caminhos já demarcados, cercados ou por vegetação ou com abismos. “Hoje foi a tradução literal do ‘fora-de-estrada’”, apontou.

Amanhã, no penúltimo dia de competição do Dakar, entre San Rafael e Santa Rosa, serão mais 725 quilômetros (368 deles cronometrados). E as coisas deverão ser mais difíceis para Klever Kolberg e o navegador Giovanni Godoi. “Vai ser um dia longo e muito difícil, muito duro para todos os competidores. Vamos passar por dunas, e neste trecho do rally do ano passado, a organização teve que cortar parte da etapa porque grande parte dos carros não conseguiu passar. Há muitos trechos de estrada de terra com bastante poeira e dunas bem altas próximas de San Rafael; é um lugar bem difícil de passar”, disse.

E foi justamente em um trecho parecido com este, ainda no quarto dia de competição, entre Fiambala e Copiapó, que um problema de embreagem causado pelo excesso de poeira das areias extremamente finas da região impediu a dupla do Valtra Dakar Eco Team de seguir competindo no rally. Agora, no entanto, este problema não deverá se repetir, segundo Kolberg.

Como parte do pacote de melhoramentos visando as próximas competições, o Valtra Dakar Eco Team já tem listados alguns desenvolvimentos para o Mitsubishi Pajero Sport Flex, o primeiro carro a competir usando etanol na história do Dakar. E uma delas já foi colocada em prática durante o rally: uma nova vedação nas partes mecânicas do carro.

“Fizemos uma vedação especial na peça da embreagem para que o pó não contamine as partes do carro. Vedamos todo o sistema e agora não entra mais poeira. É uma coisa relativamente simples, mas que nunca havia demonstrado qualquer tipo de problema nos testes que fizemos no Brasil, porque a areia dos trechos do Dakar é muito mais fina. A nuvem de pó era tão grande que acabou inundando a embreagem, e dos vários carros que abandonaram naquele dia, a grande maioria foi pela mesma razão que nós”, explicou Klever.

Além da areia, outro desafio aguarda Kolberg e Godoi: o calor. “Aqui na Argentina está um caldeirão. Ontem mesmo era 23 horas e a temperatura ambiente era de 30 graus. Além disso, o vento que sopra é quente. Pegamos o carro às 6h30 da manhã de hoje e o interior ainda estava quente. Então, nestes dias nós reforçamos ainda mais a hidratação, porque serão trechos duros tanto para os carros como para pilotos e navegadores”, afirmou.

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