Rally Dakar: Kolberg defende permanência do Dakar na América do Sul

Organização da prova ainda não definiu sedes da competição para a edição 2001 do rally mais perigoso do mundo.

O Rally Dakar ficou mundialmente famoso por seus desafios, perigos e pelos lugares inóspitos passando pelo coração da África, saindo de Paris (quando o nome do evento era Rally Paris-Dakar) e chegando à capital do Senegal. No decorrer dos anos, os locais de largada mudaram – outras cidades na França sediaram a largada, assim como Granada, Madri e Barcelona, na Espanha, e Lisboa, em Portugal.

Depois do cancelamento da edição de 2008 em virtude de ameaças de ataques terroristas em território africano, a ASO (organizadora do rally) fez uma grande operação e transferiu a competição para a América do Sul. Em 2009 e 2010, o Dakar em território sul-americano foi considerado um sucesso, e de acordo com Klever Kolberg, do Valtra Dakar Eco Team, a parte esportiva e a aventura não deixaram nada a desejar. “O terreno é perfeito. E para equipes e competidores, além de mais econômico, houve outras facilidades: pode-se trazer convidados, facilita a divulgação, facilita o apoio e toda a logística”, afirmou Klever, com 22 participações no Dakar e o primeiro competidor a usar um carro movido a etanol no rally mais perigoso do planeta.

Agora, após o fim da edição 2010, começaram os boatos de que a ASO estuda levar de volta o Dakar a terras africanas. “Eles (a ASO) ainda não deram qualquer declaração oficial, mas há um boato de que o rally sairia da América do Sul por problemas financeiros. Mas não acredito que o custo seja mais alto, porque até os europeus estão de acordo com a permanência do Dakar onde ele está. Eu até pensava que eles tivessem uma opinião diferente, mas não foi o caso”, apontou.

“Acho que o Rally Dakar deve continuar na América do Sul e, inclusive, envolver novos países no percurso. Gostaria muito que o Brasil fizesse parte do roteiro, mas isso dependerá de muitos fatores, além de uma iniciativa do governo brasileiro, a exemplo do que fizeram Argentina e Chile”, disse. “Segurança é prioridade. Voltar à África, com os conflitos regionais e internacionais que estão no ar, seria dar margem e até talvez uma provocação às redes terroristas. Tudo o que elas gostariam para novamente poder utilizar o Dakar como um trampolim para a mídia”, explicou.

De acordo com Klever, voltar à África parece lógico, sentimentalmente falando. “Porém, qual seria o risco desta operação? Quem dará garantias da nossa segurança, sem falar no risco de um novo cancelamento da largada como aconteceu em Lisboa em 2008?”, questionou. “Racionalmente, o Dakar acontecendo na América do Sul é melhor para todos. Sem repetir o tema insegurança, ele já fica um pouco mais barato do que na África, o que também é um argumento importante em qualquer decisão. E os desafios, a competição em si, permanecem os mesmos”, defendeu Kolberg.

De acordo com o piloto dono de 22 participações na mais perigosa e exigente competição off road do mundo, a janela de oportunidades parece estar aberta para outros países. “Durante o Dakar eu ouvi que o Peru já fez uma oferta, mas também se especula que os Emirados Árabes também entraram no jogo”, afirmou. “Hoje, empresas multinacionais que investem pesado no Rally Dakar têm a América do Sul como um mercado muito importante”, apontou. “Aqui, o nome do Brasil também é forte”.

“Prefiro o Dakar na América do Sul, e meu desejo é aumentar a quantidade de competidores utilizando o etanol, que é um combustível limpo. Se a prova passar pelo Brasil, será melhor ainda”, concluiu.

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