Rally: Helena Deyama faz planos para temporada 2009

Uma década representando as mulheres em uma categoria dominada pelos homens, e competindo de igual para igual com o sexo oposto.

O primeiro desafio para Helena Deyama, no ano em que comemora 10 anos de rali cross country, já tem data e hora para acontecer. A estréia na temporada será durante a primeira etapa do Campeonato Brasileiro, durante o Rally de Barretos (SP), entre os dias 13 e 15 de março.

Para Helena a expectativa é grande, especialmente por se tratar de um ano tão especial. “O início de ano é sempre cheio de planos e expectativas, muito trabalho e planejamento. A ansiedade é grande para a largada dos campeonatos. Este ano em especial, pelo fato de estar comemorando 10 anos de rali cross country. É um orgulho estar representando as mulheres por uma década, enfrentando todas as dificuldades e vencendo desafios”, afirmou.

Em sua terceira participação no rali de Barretos, Helena acredita que a Etapa na cidade se revelou como uma excelente prova, e por isso veio para ficar no calendário do Brasileiro, circuito muito apreciado por ela inclusive. “É um tipo de prova que eu gosto, com muitas dificuldades técnicas, porém, muito prazerosa para pilotagem. O circuito é longo e misto, o que exige muita concentração para ser rápido e preservar o equipamento”, conta a piloto que nesta prova irá estrear a promissora parceria para 2009 com sua nova navegadora Adriana Parra.

Segundo Helena, o carro Mitsubishi L200 RS da equipe já está preparado para o primeiro desafio. As atualizações previstas para a nova temporada, e os últimos ajustes estão sendo feitos por Erley Ayala, chefe de equipe da Rally Brasil. Para a prova de Barretos, a expectativa da dupla é se dedicar para conquistar o pódio já nesta primeira etapa.

Embora o número de mulheres no meio automobilístico tenha aumentado nos últimos anos, a proporção em relação aos homens ainda é muito inferior. Para conseguir se sobressair é preciso muita determinação. Segundo Helena a responsabilidade de representar as mulheres é grande. “É preciso habilidade e competência para conquistar respeito neste meio. Temos que nos dedicar muito para mostrar resultado”, lembrou Helena que hoje está entre os melhores pilotos da categoria.

FORA DAS TRILHAS

Quem acompanha as provas do rali pode nem imaginar, que por trás da piloto Helena Deyama, que não teme um desafio, e enfrenta as maiores adversidades em provas de alto nível como o Rally dos Sertões, ao deixar o macacão de lado, tem como profissão designer. “Minha empresa, a Luart Studio nasceu há 23 anos, quando comecei a trabalhar como Free-lancer em publicidade. Desde então eu faço o atendimento ao cliente, a concepção e criação de materiais como catálogos, logomarcas, anúncios e folders entre outros, a direção de arte, a produção gráfica e a administração da empresa em geral. O que mais me atrai é o desafio de estar sempre criando peças novas e a maior satisfação é ver os materiais prontos e o reconhecimento dos clientes”, disse.

Assim como no rali, a área de design também é muito competitiva, para sobreviver neste mercado é preciso superar vários obstáculos, e estar sempre em busca de novos desafios. “Quando fazemos o que gostamos fica fácil enfrentar as barreiras. Para se destacar nesta área, além da criatividade e talento, é necessário o constante aperfeiçoamento e atualização”, destaca.

MÊS DA MULHER

No dia 8 março se comemora o Dia Internacional da Mulher. Mas para Helena, esta data deveria ser lembrada por todo o ano. “Todas as mulheres merecem amor, admiração e respeito em cada dia de suas vidas. Não importa a profissão. Acho que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, cada uma deve acreditar em si mesmo, e em sua capacidade. Só com a confiança elevada conseguiremos atingir nossas metas. É importante cuidar da cabeça, do coração e do corpo”.

Além do tempo dedicado entre as provas de rali, que exigem preparação física diária e sua profissão, Helena encontra tempo ainda para outras atividades, como instrutora de cursos de pilotagem e palestrante. “Realmente é muita coisa, os dias ficam curtos e a semana poderia ter 12 dias. O ano fica apertado com tantas atividades. Trabalho cerca de 12 horas por dia, e treino de segunda a sexta-feira pelo menos uma hora de academia. Nos fins de semana divido entre os cursos e as competições”.

Através das experiências vivenciadas no meio automotivo, Helena sentiu a necessidade de transmitir isso a outras mulheres. Surgiu ai a iniciativa de realizar palestras voltadas ao público feminino. “Pelo fato de ser uma piloto mulher competindo num meio masculino tive a iniciativa de transmitir minhas experiências para outras mulheres, não só no campo automotivo, mas em outras áreas da vida, para provar que todas as mulheres podem se tornar grandes vencedoras”, explicou.

Aliado a todas essas atividades, Helena ainda encontra um tempinho em sua agenda para ministrar um curso de pilotagem em parceria com a BMW, no programa Driver Training, juntamente com pilotos de renome nacional como Ingo Hoffman, Cesar Urnhani e Rodrigo Hanashiro. “É uma satisfação ser um dos instrutores do programa ao lado de pilotos experientes como eles. É um programa que vai muito além do curso de pilotagem, é um serviço voltado para a segurança em geral”, conta.

FUTURO

Helena acumula diversas participações nas principais provas do circuito nacional, mas mantém um sonho de participar do maior rali do mundo, que é o Dakar. Em duas oportunidades, ela teve a possibilidade de acompanhar de perto a competição, em 2007, quando a prova ainda era disputada na Europa, Helena acompanhou algumas das especiais realizadas em Portugal, Espanha e Marrocos, e este ano ela esteve presente na largada da prova, em terras sul americanas, em Buenos Aires.

“Além da paixão pelo esporte, meu objetivo foi conhecer de perto as equipes, os equipamentos de vistoria, os custos envolvidos. Tenho muitos projetos futuros, como participar do Dakar. Mas também criar atividades sociais ligadas ao automobilismo, correr numa equipe própria com apoio oficial do fabricante, entre outros. Mas o Brasil ainda não tem a cultura do automobilismo e muito menos do rali desenvolvida, por isso, dificulta a realização de muitas coisas, mas nada é impossível”, conclui.

Entre uma palestra e outra, os cursos e as atividades de empresária, Helena terá um ano muito competitivo, com a disputa do Campeonato Brasileiro, o Rally dos Sertões, e a Copa RallySP, onde mais uma vez ela terá a oportunidade de mostrar a força e determinação da mulher brasileira.

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