Stock: Átila é o rei das ruas de Ribeirão Preto

“Caipiras” brilham e Xandinho sai do 22º no grid para o 7º na bandeirada

Foi, literalmente, uma festa do interior. O sorocabano Átila Abreu (AMG) voltou a vencer a etapa no circuito de rua da Stock Car em Ribeirão Preto e bisou o êxito na corrida inaugural na cidade paulista em 2010. Átila não foi o único “caipira” a brilhar num domingo de arquibancadas lotadas, público de mais de 40 mil pessoas e temperatura acima dos 30 graus: o campineiro Xandinho Negrão (Medley/Full Time Sports) se constituiu no maior destaque da prova ao largar apenas em 22º e terminar na 7ª posição, grudado no pelotão que chegou à sua frente.

Luciano Burti (Itaipava Racing) foi vítima da “maldição da pole” que vem assombrando a Stock Car desde 2010 – no ano passado, apenas nos traçados urbanos o mais rápido nos treinos classificatórios venceu a prova. Na atual temporada, a escrita foi estendida também à pista de rua de Ribeirão Preto. Burti saiu na frente e ditava o ritmo, até ser punido com passagem pelos boxes em função de uma irregularidade cometida durante o acesso para o reabastecimento obrigatório. Voltou atrasado e abandonaria mais tarde por causa de uma batida. Átila saiu em terceiro, passou para segundo no início ao superar Cacá Bueno (Red Bull) e assumiu definitivamente a liderança graças ao rápido pit stop nas voltas iniciais. “A prova foi muito difícil e desgastante, andei no limite o tempo todo. Foi um jogo de matemática, porque precisava cuidar dos adversários que podiam usar o recurso do botão de ultrapassagem que dá quase 100 cavalos a mais de potência no motor”, comentou. “Minha largada não foi boa e até me toquei com o Duda Pamplona na primeira curva, mas depois que voltei do reabastecimento dei duas voltas rápidas que me colocaram na frente. Depois, tive trabalho com o Allam Khodair, que estava muito veloz”, explicou Átila, que dedicou a vitória a Gustavo Sondermann, seu companheiro de equipe no ano passado e morto há duas semanas em corrida da Copa Montana em Interlagos.

Max Wilson (RC) e Cacá completaram o pódio num dia em que o safety car foi chamado três vezes por causa de batidas sem maiores gravidade. Xandinho Negrão conseguiu escapar das confusões e, com uma atuação agressiva, conquistou os primeiros nove pontos da temporada. Em Curitiba e Interlagos, ainda ressentindo-se das fraturas na clavícula esquerda e na mão esquerda do acidente nos treinos de fevereiro em Piracicaba, Xandinho praticamente só marcou presença. “Estou com os braços moídos, porque estou há dois meses sem fazer exercícios específicos. Mas acho que fiz uma ótima corrida. Reabasteci logo na terceira volta e a estratégia funcionou. Soube administrar bem o push-to-pass, porque estava preocupado em ter combustível até o final, mas mesmo assim fiz um monte de ultrapassagens. Pena que eu tenha largado tão atrás por causa do sistema de treinos classificatórios utilizado aqui e que levou em conta as posições no campeonato, favorecendo aqueles que estavam nas primeiras posições. Para mim, a temporada começou agora. Já tenho os dois descartes obrigatórios e agora temos de seguir nesse ritmo para garantir vaga nos playoffs decisivos”.

Companheiro de Xandinho e único representante da cidade na categoria, Marcos Gomes partiu em 8º e finalizou em 6º. Voltou para os boxes com a sensação de que poderia ter ido além. “Foi razoável. Foz uma boa largada, ganhei duas colocações, mas não dava para atacar o Cacá porque comecei a ter problemas com os freios”, lembrou. Gomes perdeu o quinto lugar na última volta. “De repente, o Allam Khodair ficou muito lento numa curva e tive de colocar as rodas na parte suja da pista, o que abriu a brecha para o Ricardo Maurício me ultrapassar”, justificou.

Thiago Camilo ficou em 8º e deixou a ponta da tabela, agora ocupada por Max Wilson com 52 pontos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *