Stock: Categoria confirma volta do reabastecimento nas provas

Mudança nos treinos classificatórios é outra novidade em 2008.

O reabastecimento dos carros voltará às corridas da Stock Car. Essa é uma das novidades da principal categoria do automobilismo brasileiro em 2008, ao lado de um reformulado e inusitado sistema de treinos classificatórios. As modificações constam do regulamento divulgado pela Confederação Brasileira de Automobilismo, mas o detalhamento ainda será informado às equipes antes do início do campeonato, marcado para 13 de abril, em Interlagos (São Paulo).

A obrigatoriedade do reabastecimento vigorou na temporada de 2003 e nas primeiras três etapas de 2004. Depois, foi abandonada porque a tentativa de acrescentar um componente de emoção às corridas não se confirmou na prática. Ao contrário, em alguns casos, as provas perdiam interesse exatamente depois das paradas nos boxes, já que os carros começavam a se espaçar pelas pistas. Na época, os carros recebiam 10 litros de combustível durante “janela” que variava de acordo com o número de voltas de cada circuito.

Os pilotos reconhecem que as informações disponíveis ainda são escassas. “Sabemos que o reabastecimento volta, nada mais. Acredito que o sistema antigo deve ser descartado. O ideal é que os carros sejam abastecidos pelos organizadores com a mesma quantidade e que sem a gasolina extra seja impossível completar a corrida, o que não ocorria anteriormente. E os boxes devem ser abertos já na segunda volta, a exemplo da Fórmula GP2. Assim, as equipes podem estabelecer suas estratégias de acordo com a colocação de seus carros no grid. Quem sai atrás, por exemplo, vai querer antecipar a parada e evitar o tráfego do início da prova”, sugere Ricardo Maurício (Medley).

Valdeno Brito estreará na Equipe Medley concordando com a análise do companheiro e acrescentando que o controle de velocidade nos boxes deve ser aperfeiçoado. “Comecei na Stock Car em 2004, mas o reabastecimento já havia sido extinto. Sei que havia radares em três pontos da área do pitlane. Mas, entre eles, os pilotos aceleravam e freavam. É necessário que a velocidade máxima seja respeitada em toda a área de boxes”, reivindica. Maurício pede ainda que os boxes permaneçam fechados durante os períodos de entrada do safety car, impedindo o reabastecimento. “Imagine 15, 20 carros entrando ao mesmo tempo para botar gasolina. O risco de um acidente seria enorme”, lembra.

A principal alteração no regulamento desportivo, no entanto, é o formato dos treinos classificatórios do sábado. Eles são inspirados no atual modelo da Fórmula 1, com duas sessões preliminares e uma terceira que definirá o pole position. Na primeira, com 30 minutos de duração, os 34 carros (das 16 equipes classificadas em 2007 e mais a atual campeã da Stock Car Light) definirão as posições de 16º ao 34º lugares. Em seguida, com intervalo mínimo de 10 minutos, os 15 mais rápidos da sessão anterior voltam à pista para mais 20 minutos de tomadas. Os seis melhores passam para a última e os restantes formam a ordem do 7º ao 15º do grid.

A terceira sessão, no entanto, apresenta diferenças substanciais em relação à Formula 1, com a criação de uma espécie de três “match races”. O terceiro e o quarto colocados na segunda sessão entrarão sozinhos na pista para duas voltas cronometradas. Em seguida, enfrentam-se 2º e 5º e 1º e 6º. Os vencedores, com base na soma dos tempos, garantem as três primeiras posições. A pole ficará com aquele que for o melhor de todos, independentemente da ordem de entrada na pista. Maurício afirma que a novidade ainda está cercada de dúvidas. “Não sabemos sequer quantos jogos de pneus novos teremos para o fim de semana. Eram dois em 2007, mas agora haverá uma sessão a mais. Está parecendo um pouco confuso, então convém esperar até à primeira prova.”

Valdeno, o “Expresso da Paraíba”, reforça a preocupação de Maurício com a falta de informações. “Pelo que ouvi, nessa última parte os dois carros entrariam juntos e fariam quase que uma corrida entre eles. Se for isso mesmo, pode até haver risco de batidas. Para ser sincero, gostava muito do formato do ano passado. Se dependesse de mim, continuaria do mesmo jeito.”

Vencedor de duas provas em 2003, ano em que o reabastecimento foi introduzido na categoria, Guto Negrão se mostrou contrário ao seu retorno. “É uma idéia que não deu muito certo. Além disso, não gosto de ver o regulamento modificado quase que a toda nova temporada. Por isso é que também não aprovo o novo formato dos treinos classificatórios. Ele me pareceu confuso e pode criar distorções. Uma delas é um piloto que está na superclassificação sair atrás de outro mais lento, mas que venceu a sua bateria, por causa do sistema um contra um que foi criado”, critica.

Fotos: Miguel Costa Jr.

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