Stock: Enfim, se despede do autódromo de Jacarepaguá

Depois de anos de alarme falso, Gomes e Xandinho lamentam provável adeus do circuito carioca

 


 


Como na fábula do menino e o lobo, desta vez parece que é para valer. Depois de anos correndo na pista carioca sob o risco de nunca mais voltar, a Stock Car deve dar o adeus definitivo a Jacarepaguá no próximo fim de semana. Apesar da resistência da Confederação Brasileira de Automobilismo, que não aceita a destruição do local para a construção do parque olímpico dos Jogos Rio 2016 antes que um novo autódromo seja inaugurado na cidade, a prefeitura segue firme na disposição de colocar as máquinas em funcionamento já em agosto.


Os representantes da Equipe Medley/Full Time lamentam que o tempo esteja se esgotando para o circuito que já foi o preferido da maioria dos pilotos. “Esse risco (do fim do autódromo) existe há muitos anos, mas sempre voltamos. Tomara que aconteça novamente. Se for mesmo a última prova, será muito triste. Mesmo com o traçado mutilado desde que usaram Jacarepaguá para os Jogos Pan-Americanos de 2007, a gente gosta de correr lá”, diz Marcos Gomes. Sobre o compromisso do Ministério dos Esportes, do Comitê Olímpico Brasileiro e do Município do Rio de Janeiro de construir outro autódromo no bairro de Deodoro, Gomes se mostra reticente. “Só vou acreditar quando o projeto sair do papel, mas temos de lutar por isso. Senão, vamos acabar criando mais uma corrida de rua”, acrescenta.


Gomes tem motivos de sobra para chorar pela agonia e provável extinção de Jacarepaguá. Foi lá que ele estreou na divisão principal da Stock Car na penúltima etapa de 2006. E, já com o título da Stock Car Light garantido por antecipação, deixou ótima impressão: largou em 5º e ocupava a 2ª posição quando rodou e preferiu abandonar. “Minhas chances ficaram comprometidas e eu ainda tinha a prova da Light”, lembra. As boas lembranças vão muito além: venceu na Fórmula Renault em 2004, foi 4º lugar no ano passado, 2º em 2010 e 3º na edição pioneira da Corrida do Milhão (de dólares, na época) em 2008. “Foi uma das minhas melhores corridas, talvez aquela com maior número de ultrapassagens. Larguei em 18º, terminei em 3º e ainda ganhei um dinheirinho da divisão da Equipe Medley pela vitória do Valdeno Brito, um dos nossos três pilotos na época”, observa.


Parceiro de Gomes na Medley/Full Time, Xandinho também lastima o desfecho que se aproxima. “Jacarepaguá sempre foi uma de nossas melhores pistas, tem uma bela história que inclui a passagem da Fórmula 1, da Fórmula Indy e até do Mundial de Motovelocidade, além de todas as demais categorias brasileiras. É uma pena que não se tenha encontrado uma alternativa capaz de preservar o autódromo. Espero que pelo menos as autoridades cumpram a promessa de construir outra pista na cidade”, reivindica Xandinho, que na semana passada treinou em Jacarepaguá com o novo Aston Martin da Top Series, categoria que disputa paralelamente à Stock Car ao lado do pai, Xandy Negrão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *