Stock: ‘Time dos desesperados’ joga última cartada

Tem de tudo na relação dos pilotos que ainda sonham com os playoffs

Uma ex-promessa da Fórmula 1, um campeão sul-americano de Fórmula 3, um bi da Stock Car, um antigo boleiro de equipes do futebol gaúcho e um milionário das pistas. O “time dos desesperados” da Stock Car, formado por pilotos que se apegam às chances matemáticas para alcançar os playoffs decisivos como o náufrago se agarra aos despojos da embarcação afundada, reúne uma gama diversificada de crédulos que ainda acreditam em milagre. Para vários dos 11 integrantes dessa equipe improvisada, não bastará vencer a 8ª etapa neste domingo em Campo Grande, no fechamento da fase seletiva: é preciso “zicar” os adversários, e “zicar” com determinação, porque a reza brava pode ser a última esperança dos que se encontram em situação mais dramática.

O campineiro Xandinho Negrão (Medley) é o espelho mais fiel dos enormes desafios colocados adiante da turminha neste domingo – a corrida tem largada marcada para as 10 horas locais (11 h em Brasília) e a TV Globo exibirá flashes ao vivo durante o Esporte Espetacular. Com 15 pontos, o campeão sul-americano de F-3 de 2004 pode somar no máximo os mesmos 40 que já estão na poupança de Thiago Camilo, o 10º colocado e, no momento, detentor da última vaga ao grupo que decidirá o título nas quatro provas que restarão até o fim do campeonato. Precisa de uma vitória que ainda não conquistou desde a estreia na Stock no ano passado, torcer para que Camilo passe em branco e todos os demais rivais não atinjam os 41. “Perdi 34 pontos nas últimas três etapas por causa de decisões questionáveis dos diretores de prova. Não fosse isso, eu estaria praticamente classificado”, argumenta Xandinho, que veio a Campo Grande disposto a recorrer a todos os recursos, além da reconhecida qualidade técnica e esportiva da equipe que defende sob a batuta de Andreas Mattheis. Antes do embarque para o Mato Grosso, o piloto de 24 anos moveu uma busca implacável à “medaglia miracolosa della Madonna del Miracolo”, espécie de amuleto de origem italiana que envolve com seu manto prodigioso os despossuídos pela sorte e que se encontrava em algum local incerto e não sabido de sua casa.

Outro que ainda “respira por aparelhos” na classificação geral é Giuliano Losacco (Flash Power). O bicampeão de 2004 e 2005 tem três pontos a mais que Xandinho, o que significa que para sair da UTI também precisa de uma vitória que não comemora desde 2006 e ainda emitir maus fluidos para cima da concorrência, já que o máximo de 43 pontos que estão ao alcance pode não ser suficiente. Se desconhece o que o futuro lhe reserva, Losacco enxerga no passado recente as causas do presente sombrio. “Acertei com a Flash Power na última hora, praticamente na semana da abertura do calendário. Isso complica a vida de qualquer piloto, porque a adaptação aos métodos de trabalho de cada equipe leva tempo. A Stock Car é regularidade, acima de tudo, e não conseguimos manter essa regularidade. Mas a velocidade está no meu sangue e vou continuar fazendo meu melhor, independentemente da posição em que estiver nas corridas finais”, avisa.

A “seleção dos desenganados” conta com um genuíno representante das canchas gaúchas. Ex-atacante das equipes de base do Internacional de Porto Alegre e da divisão principal do Passo Fundo, Cláudio Ricci está com a pontaria um pouco mais calibrada que metade do grid que nunca pisou no gramado irregular do Vermelhão da Serra, o estádio onde o clube do interior manda seus jogos na segundona do Rio Grande do Sul. Tem 21 pontos e poderia se contentar até com o segundo lugar em Campo Grande, caso todas as outras improváveis combinações de resultados o beneficiassem. Se o seu sonho parece uma hipótese mais difícil de ser concretizada que a união das torcidas do Inter e do Grêmio, serve de consolo a possibilidade de fechar as seletivas deixando na poeira o amazonense Antonio Pizzonia e o paraibano Valdeno Brito. O antigo Jungle Boy, que andou na Fórmula 1 pelas equipes Jaguar e Williams, tem apenas 16 pontos e provavelmente vai encarar as provas em Londrina, Santa Cruz do Sul, Brasília e Curitiba como mero cumprimento de tabela. Vencedor da Corrida do Milhão de Dólares no Rio de Janeiro em 2008, Valdeno – o único nordestino da categoria – está logo atrás de Ricci.

A classificação da Stock Car está assim:

1 – Átila Abreu, 110 pontos;
2 – Ricardo Maurício, 96
3 – Cacá Bueno, 75
4 – Max Wilson, 72
5 – Nonô Figueiredo, 66
6 – Daniel Serra, 63
7 – Felipe Maluhy, 56
8 – Allam Khodair, 50
9 – Marcos Gomes, 42
10 – Thiago Camilo, 40
11 – Júlio Campos, 32
12 – Popó Bueno, 29
13 – Lico Kaesemodel, 28
14 – Duda Pamplona, 22
15 – Cláudio Ricci, 21
16 – Valdeno Brito, 20
17 – Giuliano Losacco e Rodrigo Sperafico, 18
19 – Antonio Pizzonia e Diego Nunes, 16
20 – Xadinho Negrão, 15

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